15 de fevereiro de 2010

produção mundial de alimentos não acompanha crescimento populacional

O número de pessoas no mundo não para de crescer, estimasse que chegue a 9 bilhões em 2050. Mas, infelizmente, não se pode dizer o mesmo do total de áreas cultiváveis, de água potável e de outros recursos fundamentais para a sobrevivência humana. Diversos artigos na dição do último dia 12 da revista “Science” mostram que mesmo com os avanços científicos e nas tecnologias agrícolas, o número de pessoas desnutridas já passou do 1 bilhão.

Para alimentar o mundo sem exacerbar problemas ambientais e, ainda por cima, tendo que lidar com a questão das mudanças climáticas, os cientistas apostam na adoção de medidas radicais na produção de alimentos. Eles pedem aos líderes mundiais que “alterem dramaticamente suas noções a respeito de agricultura sustentável de modo a prevenir uma fome de dimensões catastróficas até o fim deste século entre os mais de 3 bilhões de pessoas que vivem próximas à linha do equador”.

Plantação de Milho (Foto: Valdir Rodrigues)

Os pesquisadores clamam que os governantes “superem os conceitos populares contra o uso da biotecnologia agrícola”, particularmente com relação a culturas modificadas geneticamente, de modo a produzir mais em piores condições, e que os países tomem como base de suas regulações no setor os mais avançados trabalhos científicos.

“Estamos diante de uma queda de 20% a 30% na produção agrícola nos próximos 50 anos nas principais culturas entre as latitudes do sul da Califórnia e da Europa e a África do Sul”, disse David Battisti, professor da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e um dos cientistas que participaram do especial na "Science".

Eles explicam que a produção nas mais importantes culturas agrícolas declina drasticamente quando as temperaturas médias passam dos 30º C. As projeções são de que o fim do século, nas regiões tropicais e subtropicais, será de temperaturas mais elevadas do que as mais altas registradas atualmente.

São mais de 1 bilhão os desnutridos no mundo

Segundo Battisti, mesmo sem o fator aquecimento global, alimentar uma população que crescerá 30% em 40 anos seria um desafio imenso. “Precisaríamos dobrar a produção atual de grãos nos trópicos. O problema é que o clima mais aquecido reduzirá a produtividade, uma vez que a temperatura elevada reduz a eficiência do processo fotossintético”, explica.

Os cientistas estimam que o aumento na temperatura, a queda nas chuvas e o aumento da ação de pestes e patógenos poderão derrubar a produção de alimentos nas regiões tropicais e subtropicais do planeta em pelo menos 20% até 2050.

Os pesquisadores destacam medidas para tentar enfrentar a situação, tais como desenvolver sistemas que permitam produzir mais com menos terra, energia ou água e reduzir a poluição associada com os pesticidas agrícolas.

Battisti aponta que a chamada “revolução verde” na agricultura resultou em um aumento de 2% na produção anual nos últimos 20 anos, especialmente por meio do uso de novas variedades de plantas e do melhor uso da fertilização e da irrigação.

Mas, apesar desses avanços, há pouca – ou mesmo nenhuma, em muitos lugares – nova terra disponível para plantio. Por conta disso, mais inovações são necessárias para lidar com esse panorama adverso.

Fonte: Agencia Fapesp e www.sciencemag.org

11 de janeiro de 2010

Número do intoxização alimentar é maior em casa do que na rua

Um levantamento da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostrou que 27% dos casos de intoxicação alimentar, registrados entre 1998 e 2008, foram gerados por ingestão de alimentos preparados nas residências.
O fato chamou a atenção do órgão, pois o número de intoxicações ocorridas nas casas supera as provocadas por alimentos ingeridos em estabelecimentos comerciais ligados à área de alimentação como restaurantes, bares e padarias, que respondem por 24% do total.
Creches, escolas, asilos e outros locais representaram 39% das intoxicações alimentares. Em 10% dos casos não houve registros do local de contaminação.
A Secretaria computou 76,8 mil casos de doenças transmitidas por água e alimentos (DTA), durante estes 10 anos. A grande maioria deles – 72,5 mil – são casos de diarreia aguda causada por bactéria, principalmente a Salmonella, responsável por 7 mil deles. Entre os casos de diarréia aguda causada por Salmonella, segundo o estudo, 35% estão relacionados ao consumo de ovos crus ou mal cozidos e a alimentos preparados a base de ovos, como maionese. Outros 16% foram causados por bolos e doces, 11% pelo consumo de tortas, salgados e lanches, e 9% pela ingestão de carnes e aves. “O cuidado na hora de preparar alimentos é fundamental para evitar intoxicações, que além de diarréia, podem causar outros sintomas como vômito, cólicas, febre e, em alguns casos, distúrbios alérgicos, neurológicos e até morte”, explica Maria Bernadete de Paula Eduardo, diretora da Divisão de Doenças Transmitidas por Água e Alimentos do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria. Em novembro de 2009, o Ministério da Saúde revelou dados epidemiológicos que mostravam que 45% das intoxicações alimentares são originadas por alimentos preparados em casa. O manuseio incorreto e a conservação inadequada de alimentos foram destacados como sendo as principais formas de contaminação.

A intoxicação alimentar é, segundo o Ministério, responsável por mais ou menos 670 surtos, com 13 mil doentes todo ano.

Algumas dicas para evitar intoxicação alimentar:
  • Lavar periodicamente a geladeira, o freezer e o microondas;
  • As prateleiras da geladeira não devem ser cobertas por panos ou toalhas, pois assim impedem que o ar frio circule;
  • Verificar se as borrachas presentes nas portas da geladeira estão em boas condições, pois são elas que garantem o isolamento térmico;
  • Nunca utilizar alimentos após a data de validade;
  • Observar as condições especiais de cada alimento e suas recomendações.
Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de SP; ANVISA; SaúdeVidaOnline

4 de janeiro de 2010

Plantas ornamentais podem ser usadas no tratamento de esgoto

Comunidades rurais que não contam com sistemas convencionais de coleta e tratamento de esgoto, ou que possuam sistema de saneamento que o trate de maneira secundária, podem utilizar uma nova tecnologia. Trata-se de um sistema natural para tratamento complementar de esgoto doméstico que utiliza plantas ornamentais, sobre leito de bambu e brita. A tecnologia, denominada wetland-construído, foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), da Unicamp, e oferece ainda baixo custo de operação.
Copo de leite (nome científico: Zantedeschia aethiopica Spreng). É uma das plantas utilizadas no processo. É de origem africana.
A utilização de bambu como meio-suporte é ideal para ser aplicado em áreas rurais, visto que o bambu é facilmente encontrado em qualquer parte do país. Tanto o ele como as pedras atuam como filtro e meio-suporte para microorganismos que proporcionam o tratamento. O sistema, ao ser testado na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), foi responsável por 30% da eficiência do sistema de tratamento na remoção de matéria orgânica e consiste em uma alternativa prática do ponto de vista operacional. Não há necessidade de uso de produtos químicos ou eletricidade e, por isso, o sistema torna-se ideal para pequenas propriedades, como sítios e fazendas.
Mini-papiro (nome científico: Cyperus papyrus `Nanus). É uma planta aquática de origem africana, também utilizada no processo.
“No Brasil, não havia relato da introdução de plantas ornamentais nesse sistema, embora a utilização desse tipo de tratamento seja crescente. Em outros países, essa configuração de tratamento é largamente usada, sendo encontrada até mesmo para o tratamento de esgoto industrial”, explica o engenheiro Edson Aparecido Abdul Nour. De acordo o engenheiro civil Luciano Zanella, autor da proposta, a idéia surgiu a partir de um problema no Vale do Ribeira em que se exigia o tratamento do esgoto em fazenda de plantação de bananas. “Em uma investigação dos sistemas existentes, resolvi testar algo já conhecido, adaptando para o tratamento com plantas ornamentais e utilização de bambu”, explica. Segundo Zanella, este tipo de sistema é recomendável como um tratamento complementar ao esgoto doméstico já tratado numa primeira etapa em que a remoção dos resíduos mais pesados foi feita. Na proposta do engenheiro, o resultado do tratamento complementar do esgoto poderia ser lançado em rios e lagos.
Beri-silvestre ou bananeirinha (nome cientifíco: Canna patens). também é usada no wetland-construído. É uma planta brasileira
“O sistema melhora muito a aparência, reduziu quase que completamente os sólidos e, razoavelmente, a matéria orgânica. Porém, não posso afirmar se poderia ser utilizado para irrigação, por exemplo, uma vez que não fiz testes para esta finalidade”, explica. Outra possibilidade, exemplifica, seria o reúso em vasos sanitários, tema de bastante importância no meio científico e tecnológico nos últimos anos, mas para o qual o esgoto ainda necessitaria de uma desinfecção. Fonte: rts.org

28 de dezembro de 2009

E se os principais causadores das mudanças climáticas forem bois, porcos e galinhas?

Esta é a frase que abre o estudo "Livestock and Climate Change: What if the key actors in climate change are...cows, pigs, and chickens?", do World Watch Institute (WWI), de Washington, nos Estados Unidos. (leia na íntegra). A pesquisa mostra que a pecuária seria responsável por pelo menos 51% das emissões dos gases-estufa no mundo, ou 32,5 bilhões de toneladas. A estimativa está muito acima dos números apresentados pela Organização para Agricultura e Alimentação (Fao/Onu), que diz que a pecuária contribui com 18% para o aquecimento global.
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Área devastada no Pará, região Norte do Brasil, para prática da pecuária. (Foto: Valter Campanato/ABr)

O número do WWI parece se relacionar mais com os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). Segunda ela, pelo menos metade das emissões brasileiras de gases do efeito estufa é causada pela pecuária bovina. Esta atividade foi responsável pela emissão de 813 milhões de toneladas de CO2 só no último ano.

A maior parte do problema se deve ao desmatamento para abrir pastagens na Amazônia e no Cerrado. Estimativas de 2003 a 2008, do Inpe, mostram que a pecuária é responsável em média por 75% do desmate na Amazônia e 56% no Cerrado.

Contudo, existem outros fatores provenientes da pecuária que contribui ao almento da temperatura na terra: A fermentação intestinal do gado, que gera importantes quantidades de metano (um dos gases de maior efeito sobre o aquecimento global), as queimadas nas áreas de pastagem e a criação de peixes e a pesca destinada à alimentação dos rebanhos.

Segundo os autores do estudo da World Watch Institute, Robert Goodland e Jeff Anhang, a melhor estratégia na luta climática seria substituir produtos derivados de animais por análogos vegetais. Eles recomendam um esforço direcionado ao setor industrial para a oferta de "produtos análogos a carnes e laticínios" processados, como soja e diversos tipos de legumes e grãos. Estes, quando processados, ficariam similares aos originados da pecuária. Apenas mudar o modo de produção ou tipo de carnes ou laticínios não teria uma redução significativa de seu impacto, avaliam. Mesmo com esses dados, as ações mundias para redução dos gases de efeito estufa não atingem especificamente a pecuária. O plano brasileiro, por exemplo, apresentado na conferência do clima de Copenhague, apóia-se majoritariamente na coibição do desmatamento, sem discriminar quem está desmatando, e prevê ações no setor agrícola. Fonte: Folhaonline

21 de dezembro de 2009

Cúpula do clima acaba em acordo de fachada

Entre os dias 8 e 19 de dezembro, 193 países estiveram reunidos na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Cop-15) em Copenhange, Dinamarca. Este tinha tudo para ser o encontro mais imporante do século, já que o futuro da humanidade estava nas mãos dos políticos presentes. Porém, foi um fracasso. O objetivo central da Cúpula, que era estabelecer normas legais que definisse metas de corte nas emissões de gases-estufa, não foi cumprido.
Os cientistas recomendam que as emissões dos países ricos sejam de -25% a -40% em 2020, em relação a 2005. E, a longo prazo, o objetivo para todo o planeta é de -50% em 2050. Como as nações presentes não correspoderem as expectativas do planeta, críticas não param de surgir quanto ao desfecho do encontro. Muitos jornais afirmaram que a conferência foi uma decepção e que no final um texto foi costurado às pressas para salvar a honra dos organizadores. A conferência mostrou que as "potências deste mundo são incapazes de tomar decisões claras e voluntárias, que não conseguiram obter mais que um acordo de questões mínimas que apenas salva as aparências", criticou o francês Libération.
Há quem diga que a culpa do fiasco tenha sido da Onu (Organização das Nações Unidas). "O resultado incompleto de Copenhague demonstra uma fraqueza inerente do processo de negociação sobre o meio ambiente da Onu. Precisamos começar a buscar outras opções, ou pelo menos começar a usar alguns fóruns alternativos, como o G20 e o Fórum das Maiores Economias", disse Andrew Light, coordenador de política internacional de clima no Centro para o Progresso Americano.

À esq., líderes da África do Sul, Brasil e EUA; à dir., premiê chinês ao lado de primeiro-ministro indiano

No entanto, as nações asiáticas, entre elas a China e a Indonésia, dois dos três maiores poluidores do planeta, ao lado dos Estados Unidos, mencionaram "resultados positivos" e afirmaram que o acordo responde à maior parte de suas preocupações.
No final, a única coisa que o encontro conseguiu foi criar um documento de cumprimento opcional segundo o qual o aquecimento global não deverá ultrapassar 2ºC e os países mais desenvolvidos contribuirão com um fundo anual de 100 bilhões, até 2020, para auxiliar os mais pobres a lutar contra as mudanças climáticas. Houve também o consenso dos países fornecerem informações sobre a implementação de suas ações.

Um dos últimos esboços de acordo em Copenhague

O acordo será colocado em vigor "imediatamente", conforme o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, porém o fato de cinco países terem votado contra (Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágu e Sudão) tornou seu cumprimento não obrigatório.

Pelas regras da Organização, um acordo precisa de unanimidade para vigorar. Neste caso, no entanto, essa unanimidade exigia a conciliação de interesses de países exportadores de petróleo com os de ilhas tropicais preocupadas com as elevações do nível do mar, o que, afinal, se mostrou impossível.
Brasil
O Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Carlos Minc, em entrevista à Globonews, disse que o mundo perdeu uma grande oportunidade com o fracasso da cúpula. Mas, também ressaltou que ocorreram vários avanços antes da reunião que, se efetivados, ainda podem ter efeito positivo sobre as mudanças climáticas. "O que foi posto na mesa não vai ser tirado. [...] Nós, no Brasil, a partir de segunda, vamos nos reunir com empresários, fazer cronogramas", afirmou o ministro no sentido de cumprir a meta de cortar as emissões de CO2 no Brasil de 36% a 39% do volume para 2020.
O preseidente Lula teve um papel importante durante a Conferência. Ele participou intensamente das negociações em Copenhague, realizando encontros com diversos presidentes e primeiros-ministros para tentar salvar um acordo. Porém, ao ver que não chegaram a um melhor resultado, o Brasil e outras nações que formam o chamado Basic - África do Sul, Índia e China - apoiaram o acordo final. "Eu adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do mundo assinado. Mas se não tivemos condições de fazer até agora eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora. Não sei."

Veja as metas propostas por alguns países em Copenhague: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/12/18/ult4476u44.jhtm

Diante do inevitável fiasco de Copenhague, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, convocou uma nova reunião para Bonn, na Alemanha, em junho. As decisões que se esperavam neste encontro, porém, foram adiadas para a próxima Cop, que está marcada para dezembro de 2010 no México.

Considerado um dos maiores especialistas em clima do Brasil, o cientista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), faz sua avaliação do encontro, em entrevista ao Globo: "Estão todos jogando o problema para a frente, adiaram a tomada de decisões. Um acordo com valor legal seria importante para que todos assumissem sua responsabilidade, mas, agora, o que pode acontecer é todo mundo colocar o pé no freio. Existe o risco de cada um fazer o que quer e, mais à frente, quando os impactos mais graves das mudanças climáticas começarem a aparecer, terem que começar a fazer algo. Mas pode ser tarde demais".

O que mudou desde a primeira grande conferência sobre o clima? Descubra, clicando no link: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/especial/2009/conferencia-clima/ultimas-noticias/2009/12/18/o-que-mudou-desde-a-primeira-grande-conferencia-sobre-o-clima.jhtm

Fontes: FolhaOnline, Globo, Online, UolCiência