12 de abril de 2010

Etanol pode ser usado como combustível de foguetes

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) lidera há 15 anos um programa de propulsão líquida para foguetes espaciais que tem como base o etanol. O objetivo é movimentar futuros foguetes com um combustível líquido que seja mais seguro do que o propelente à base de hidrazina empregado atualmente. Esse último, cuja utilização é dominada pelo país, é corrosivo e tóxico. “Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos”, explica o engenheiro e professor da Faculdade de Tecnologia da Informação, José Miraglia.

Monumento foguete Vostok em Kalunga (Rússia). Foto de Blogpaedia (Flickr)

Na primeira fase do projeto, denominado “Desenvolvimento de propulsor catalítico propelente utilizando pré-misturados”, foram testados motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N), com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene.

“Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento”, disse Miraglia.

Ele ainda explica que a mistura apresenta algumas vantagens em relação à hidrazina ou ao tetróxido de nitrogênio, usados atualmente. “Ela é muito versátil, podendo ser utilizada como monopropelente e como oxidante em sistemas bipropelentes e pré-misturados. O peróxido de hidrogênio misturado com etanol apresenta densidade maior do que a maioria dos propelentes líquidos, necessitando de menor volume de reservatório e, consequentemente, de menor massa de satélite ou do veículo lançador, além de ser compatível com materiais como alumínio e aço inox”.

Nos arredores do Centro Espacial Marshall da NASA há vários monumentos públicos que reúnem os principais símbolos espaciais americano, que incluem um foguete Apollo original e o Ônibus Espacial montado no seu foguete propulsor. Foto de Blogpaedia (Flickr)

Na segunda fase, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100 N e 1000 N. Eles querem também enviar ao espaço um satélite para o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas e especialidades, como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos. Para isso, uma parceira com o IAE no projeto Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica) está em negociação.

O grupo pretende ainda produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo. Miraglia explica que isso ajudaria universidades em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo.

Em trabalhos de biotecnologia em microgravidade, por exemplo, pesquisas com enzimas são fundamentais para elucidar processos ligados a reações, fenômenos de transporte de massa e calor e estabilidade das enzimas. Tais processos são muito utilizados nas indústrias de alimentos, farmacêutica e química fina, entre outras.
“Queremos atingir alguns nichos, ou seja, desenvolver um foguete movido a propelente líquido que se possa ajustar à altitude e ser reutilizável. Esse é outro ponto importante, porque normalmente um foguete, depois de lançado, é descartado”, contou o engenheiro.

No site www.foguete.org, o grupo oferece kits de minifoguetes, apostilas técnicas e livros digitais sobre foguetes com informações sobre astronáutica, exploração espacial e aerodinâmica.

29 de março de 2010

Fórum Internacional de Sustentabilidade cria “Carta do Amazonas”.

Durante os dias 26 e 27 de março a cidade de Manaus (Amazonas) foi sede do Fórum Internacional de Sustentabilidade. O encontro teve como objetivo difundir práticas e mecanismos bem-sucedidos de desenvolvimento sustentável na Amazônia, assim como demonstrar o valor econômico e ambiental da floresta em pé e suas implicações para a região e o mundo. Estiveram presentes empresários, executivos, políticos, cientistas, índios, entre outras pessoas.
 
Plateia do Fórum de Sustentabilidade conta com líderes empresariais e representantes da sociedade. Foto: Gustavo Scatena/Redação Terra
Os organizadores do encontro queriam também criar um documento que apresentasse o compromisso político e empresarial com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Esse documento foi criado e se chama “Carta do Amazonas”.

"Hoje, a floresta Amazônica está sob ameaça de atividades predatórias que visam o lucro imediato, sem preocupação com o impacto que causam. Declaramos tal situação ser insustentável e intolerável, e nos comprometemos como cidadãos, líderes, homens e mulheres conscientes, a defender a integridade dos ecossistemas amazônicos", diz a Carta.
Antes de chegar a esse resultado final, porém, muitos assuntos foram debatidos.

Um exemplo foi a Redução das Emissões geradas com o Desmatamento e a Degradação florestal (REDD)* e outros mecanismos de valorização econômica das florestas tropicais. “O REDD não é uma panaceia que vai resolver todos os problemas, mas é a melhor oportunidade de nossas vidas para salvar a Amazônia, salvar o meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável", disse Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (Fas).
Vista aérea do Rio Solimões. Foto: Gustavo Scatena/Redação Terra
 
Os empresários marcaram presença fazendo uma série de questionamentos. O presidente da empresa de plásticos Tetra Pak, Paulo Nigro, perguntou se há modelos na Amazônia que podem servir de exemplo como investimentos ambientais. O escritor e jornalista americano Mark London citou o projeto Juma, mantido pela Fas, ligada ao governo do Estado do Amazonas. A resposta foi reforçada pelo governador do Estado, Eduardo Braga, como sendo uma experiência única de compensação econômica para comunitários que mantém a floresta intacta.

Outra questão coletiva pelos espectadores, entre eles o representante da Yamaha, foi se a produtividade da floresta tem poder para manter, ao mesmo tempo, investimentos e garantir a qualidade de vida das pessoas que vivem nela.

Em resposta, Braga citou o crescimento da valorização de alguns produtos regionais, fruto, segundo ele, da política de desenvolvimento econômico. A borracha, por exemplo, passou de 80 toneladas produzidas por ano para o patamar de 1 mil toneladas/ano. O processo resultou na vinda de uma empresa de pneus que vai comprar a borracha retirada das plantações naturais que já existem, em grande maioria, ao longo do rio Madeira.

O ex-vice-presidente dos EUA e prêmio Nobel da Paz, Al Gore, esteve também no evento e falou durante sua palestra sobre a criação de um fundo mundial internacional, que poderia bancar as ações voltadas para a preservação da Amazônia. Segundo ele, “No acordo político alcançado em Copenhague, isso não é mais controvertido. É um elemento chave do acordo ao qual o mundo está se dirigindo. E nos EUA, existem muitos lobistas que tentam influenciar positivamente essa questão, assim como existem grupos que fazem o mesmo em outras nações. Esse fundo seria uma solução central para este problema".

João Dória Jr., organizador do evento. Foto: Gustavo Scatena/Redação Terra
 

O coordenador do encontro, o empresário João Dória Jr., encerrou o Fórum dizendo: “Agora, é colocar em prática o que as empresas, as ONGs, a imprensa e os formadores de opinião se comprometeram a fazer aqui. Há uma consciência coletiva que empurra positivamente uma agenda de tarefas construtivas para coibir, criticar e denunciar aquelas ações que visam à destruição da floresta".

*O que é o REDD?
É um mecanismo de compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas. O REDD é visto como uma forma fundamental de redução da quantidade de CO2 lançada na atmosfera por conta do desmatamento em todo o mundo, causadora do aquecimento global. Nos últimos anos, o REDD se tornou ponto central das negociações de um novo acordo sobre o clima.

Para alguns especialistas o REDD representa a maior oportunidade isolada de redução imediata, e de maior custo efetivo, da emissão de GHG. Eles argumentam que outras opções mais tecnológicas, como a captura e armazenamento de carbono, são muito mais caras e poderiam levar muitos anos para serem implementadas em larga escala.

Fontes: verde.br.msn.com; terra.com; forumdesustentabilidade.com

22 de março de 2010

Estimativas apontam que em 2030 teremos mais de dois milhões de carros em circulação no mundo

Gestores de vários países se reuniram entre 10 e 13 de março na "Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI 2010), em Curitiba (Paraná), para discutir a criação de sistemas de transporte sustentáveis. No encontro, um grande dilema surgiu: devemos planejar nossas cidades para veículos ou para seres humanos? Segundo previsões otimistas, em 2030 teremos mais de dois bilhões de carros circulando em todo o mundo.
Engarrafamento na China
Segundo o presidente do Centro de Transporte Sustentável (CTS-Brasil), Luis Antonio Lindau, o caminho para sairmos dessa enrascada passa por três etapas: desestimular o uso do automóvel, melhorar o transporte coletivo e incentivar o transporte não motorizado. Ele deu o exemplo de Estocolmo (Suiça), onde a maioria das pessoas concorda com o pedágio cobrado: Segundo pesquisa, 67% das pessoas aprovavam a nova política. O modelo de Curitiba de transporte coletivo em corredores exclusivos, chamado de BRT (sigla para Bus Rapid Transport), é outra medida que Luis aconselha para se alcançar eficiência na mobilidade urbana. Curitiba foi pioneira no uso desse sistema, e hoje mais de 80 cidades no mundo já o utilizam. “É a forma de transporte coletivo que nos oferece o melhor custo-benefício. O metrô, sem dúvida, é também uma boa alternativa, mas o custo de sua implantação nos faz pensar duas vezes antes de optar por ele", disse. Mas, infelizmente, Curitiba ainda sofre com o trânsito. Atualmente a cidade tem 2 milhões de habitantes, e uma frota de quase 1,2 milhão de carros. É a metrópole mais motorizada do Brasil.
Ônibus expresso em Curitiba: Atualmente são 81 km de canaletas exclusivas para operação desses ônibus.
“Essa é uma prova de que só engenharia não resolve o problema; é preciso também boa gestão pública“, disse Lindau. O espaço urbano é finito, e a construção de viadutos e perimetrais tem limite físico. Diante disso, afirmou o engenheiro, os municípios precisam repensar suas políticas de transporte urbano ou vão chegar a um ‘apagão’. A cidade de Lyon, na França, possui uma outra medida neste aspecto: O uso de bicicletas. O governo implantou um sistema de empréstimo do veículo por toda a cidade. Hoje, mais de 50 mil pessoas aderem à ideia. “Em vez de ampliar a infraestrutura para o transporte individual, nossos gestores têm que diminuí-la”. Essa é a aposto do economista Adalberto Maluf, membro da Fundação Clinton. O exemplo que ele deu foi de Nova York e Genebra. Por lá, há tempos não se constroem novas ruas. Pelo contrário, as que antes eram exclusivas para veículos estão sendo reestruturadas para dar mais espaço ao pedestre. “Não só espaço para mobilidade, mas, sobretudo, espaço para convivência”, disse. Mas, para ele, isso só resolve parte do problema, pois continuamos investindo em tecnologias do passado (como as empregadas na produção de petróleo) e insistimos em ideias ultrapassadas (como o transporte individual). Maluf acredita que é preciso dar chance a novas alternativas de transporte e investir com urgência em novas matrizes energéticas. Fonto: cienciahoje.uol

1 de março de 2010

Concessões de petróleo e gás natural interferem biodiversidade da Amazônia peruana

Universidade da Espanha aponta os perigos da concessão de áreas da Amazônia peruana para a exploração de petróleo e gás natural. Segundo o estudo da Universidade Autônoma de Barcelona, as atividades prejudicam seriamente a biodiversidade da região.

Os autores da pesquisa, Martí Orta e Matt Finer, concluíram que atualmente 41% da Amazônia peruana está loteada em 52 concessões. A maior porcentagem da história para este tipo de atividades.

Abaixo, mapa do governo peruano mostra concessões para exploração de petróleo no país: região amazônica está quase totalmente repartida.

O levantamento mostra também que a maioria das concessões foi feita em áreas sensíveis do ponto de vista ambiental ou da questão indígena. Um quinto das reservas ambientais e mais de metade das terras indígenas na Amazônia peruana têm concessões em seus domínios. E 60% das terras para as quais o Peru propõem criar reservas para índios isolados (que não têm contato com o “homem branco”) estão dentro de áreas de concessão.

Projetos como o Yasuní-ITT, no qual o Equador tenta levantar fundos internacionais para evitar a exploração do subsolo de uma área de floresta com altíssima biodiversidade, são exemplos que deveriam ser seguidos pelo país, aconselham os pesquisadores. Para eles, é necessário aumentar o debate no sobre a necessidade de preservação de sua porção da Amazônia.

22 de fevereiro de 2010

Tratamento periodontal ajuda em problemas cardíacos


Além de causar a perda dos dentes na região afetada da gengiva, a periodontite está relacionada com o surgimento de problemas cardiovasculares. Com o objetivo de ajudar a baixar os casos de enfartes do miocárdio associados à doença, o médico e periodontista ,Ricardo Guimarães Fischer, professor da Universidade do Estado Rio de Janeiro (Uerj), vem desenvolvendo um estudo chamado, “O efeito do tratamento periodontal no controle da hipertensão arterial refratária”.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica de origem infecciosa, que atinge os tecidos ao redor dos dentes, gengiva, osso alveolar e ligamento periodontal, que dão suporte aos elementos dentários. Na maioria das vezes, ela não provoca dor. “Problemas periodontais são altamente prevalentes na população mundial, cerca de 80% a 90% têm gengivite, e 40% a 50%, periodontite” diz o pesquisador. Ele aconselha que ao ter qualquer sangramento na gengiva, a pessoa vá direto procurar um médico, pois isso pode ser um sinal de gengivite, que se não for tratada, pode virar uma periodontite.




“Uma vez instalada, a doença se torna uma fonte constante de produtos inflamatórios, caindo na corrente sanguínea, podendo ocasionar problemas no coração, no pulmão, nos rins e aos fetos”, explica Fischer. O tecido conjuntivo gengival da pessoa com periodontite (uma área mais ou menos equivalente ao da palma da mão) fica exposto e repleta por bactérias. E esse aumento de bactérias na boca e sua migração pelo sangue, de acordo com Fischer, aumentam a presença de proteína C-reativa, interleucina-6 e fibrinogênio, entre outras substâncias também conhecidas como marcadores inflamatórios.


“A relação entre a periodontite e as doenças cardiovasculares está na presença de bactérias na corrente sanguínea, já que a aterosclerose também é uma doença inflamatória crônica. A presença elevada desses marcadores inflamatórios aumenta o risco de enfarte, derrame cerebral e hipertensão em pacientes, explica.


Segundo o dentista, pacientes com periodontite têm de 1,3% a 1,6% mais chances de desenvolver doenças relacionadas ao coração. Em seu estudo, ele tratou 22 pacientes com hipertensão refratária e periodontite. 11 deles receberam tratamento periodontal. Após três meses, o professor pôde comprovar que os pacientes tiveram os marcadores inflamatórios diminuídos e apresentavam melhora na pressão arterial, enquanto os 11 restantes, que não receberam tratamento periodontal, não exibiam o mesmo progresso.


O próximo passo é verificar, dentro do prazo de um ano, se essa melhora no quadro inflamatório sistêmico trará algum benefício direto aos males causados pela terosclerose. “Se o paciente que sofreu um enfarte tratar a periodontite, terá menos chance de sofrer novamente um ataque cardíaco? É essa resposta que estamos tentando obter por meio de mais alguns testes. Com esse resultado comprovado, poderemos unir o trabalho do dentista ao médico e diminuir a reincidência de doenças cardiovasculares, a quantidade de dosagem de remédios e o número de internações desses pacientes que sofrem de aterosclerose”, diz.


O tratamento para periodontite, segundo Fischer, é simples e barato, mas, ainda assim, são muitos os casos de pessoas acometidas pela doença que hesitam ou demoram a procurar um dentista. O tratamento também traz benefícios diretos para pacientes com problemas renais, diabetes e também na gravidez, já que são doenças relacionadas pela presença dos marcadores inflamatórios no sangue.


Fonte: Revista Rio Pesquiosa - nº 9 (Faperj)