3 de fevereiro de 2012

Nova espécie de crocodilo pré-histórico é descoberta por cientistas



Classificado como Aegisuchus witmeri, a criatura extinta foi apelidada de “crocodilo-escudo”, por causa da grossa proteção óssea que envolvia a cabeça


Uma nova espécie de crocodilo pré-histórico foi descoberta por cientistas das Universidades do Missouri e de Marshall, ambas nos EUA. Nomeado como Aegisuchus witmeri, a criatura extinta foi apelidado de “crocodilo-escudo”, por causa da grossa proteção óssea que envolvia a cabeça.

A descrição da espécie foi publicada na revista PLoS-ONE, da Public Library of Science, e, de acordo com os autores, amplia a compreensão sobre a evolução dos répteis e poderá ajudar a encontrar novas formas de proteger espécies atuais de eventual extinção.


O Aegisuchus witmeri viveu há cerca de 95 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior. A espécie foi identificada a partir do estudo de um pedaço de crânio fossilizado, descoberto no Marrocos e mantido por vários anos no Royal Ontario Museum, no Canadá.

“O ‘crocodilo-escudo’ é o ancestral mais velho dos crocodilos modernos já encontrado na África. Sua descoberta mostra que os ancestrais desses répteis eram muito mais diversos do que estimávamos”, disse Casey Holliday, da Universidade do Missouri.

Por meio da análise de sinais de vasos sanguíneos no pedaço de crânio, os pesquisadores verificaram que o animal tinha uma estrutura no topo da cabeça, que lembra um escudo. A disposição dos vasos, que levavam sangue a uma área circular da pele sob o escudo, é algo nunca antes observada em crocodilos.

Os cientistas estimam que a estrutura de proteção também era usada para atrair parceiros na hora do acasalamento e para regular a temperatura na cabeça do animal.

Por meio da comparação do crânio do Aegisuchus witmeri com o de outros crocodilianos, os cientistas concluíram que a nova espécie tinha um crânio mais chato do que os demais. Segundo eles, o “crocodilo-escudo” deve ter tido mandíbulas finas e provavelmente se alimentava de peixes, não devendo ter enfrentado os dinossauros da época.

Os pesquisadores estimam que a espécie analisada tinha cerca de 9 metros de comprimento com uma cabeça de 1,5 metro. “Achamos que ele usava essa cabeça longa como uma espécie de armadilha para peixes. Talvez ele ficasse deitado de boca aberta, esperando que peixes passassem à sua frente para então fechá-la e se alimentar sem muito esforço e dispensando a necessidade de mandíbulas fortes”, disse Nicholas Gardner, da Universidade de Marshall.

Wedis Martins
 

26 de janeiro de 2012

Comida para todo mundo

Há alguns meses chegamos ao marco de sete bilhões de pessoas no mundo. Muito se falou sobre isso. O que não se falou, porém, foi que, nesse atual nível populacional, um bilhão de pessoas passa fome e os desafios para produzir mais alimentos de forma sustentável, sendo economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto, são cada vez maiores.

Em recente artigo publicado no site do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), José Graziano da Silva, diretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), disse: “ao contrário do que ocorreu na Revolução Verde, nos anos 50, desta vez a batalha da produção não poderá abstrair as intersecções com três modalidades de ‘fomes’ então ignoradas: a ‘fome’ de empregos; a ‘fome’ de direitos sociais, sobretudo nas fronteiras rurais; e a ‘fome’ de equilíbrio ambiental”.
Além disso, o ambiente para a produção é cada vez mais incerto. As preocupações atuais vão além dos tradicionais fatores econômicos, como a volatilidade dos preços. Muitas incertezas, por exemplo, giram em torno dos impactos da mudança do clima nas condições de produção. Portanto, diante da necessidade de elevar a oferta mundial de alimentos, é preciso criar sistemas de produção eficientes e ao mesmo tempo sustentáveis – um desafio que só será superado por meio de investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de novas tecnologias para aumentar a produtividade e a qualidade dos alimentos.

O relatório da FAO, “Perspectivas da Agricultura e Desenvolvimento Rural das Américas”, enfatiza a necessidade de mais e melhores investimentos em pesquisa e desenvolvimento de variedades adaptadas às condições geradas pelo efeito da mudança do clima; tecnologias de irrigação para melhor uso da água e sistemas de produção com menor impacto ambiental; restauração da agrobiodiversidade, sistemas de produção locais e produtos que ajudam na diversificação da dieta; promoção de hábitos alimentares mais saudáveis; e mecanismos financeiros e não financeiros para administrar os riscos relacionados ao mercado, à volatilidade dos preços e à mudança do clima.

Sobre a volatilidade dos preços dos alimentos, o Relatório dos Índices da Fome Mundial - 2011, do International Food Policy Research Institute (IFPRI), mostra algumas ações que podem colaborar para enfrentá-la e, consequentemente, para combater à fome, tais como: acumular estoques de alimentos, compartilhar informações sobre o mercado, investir em pequenos produtores e em agricultura sustentável, fomentar e apoiar oportunidades de renda não agrícola nas áreas rurais, e melhorar as opções de meios de subsistência para os pobres em áreas urbanas.

Por outro lado, A FAO ressalta um aspecto positivo da alta do preço dos alimentos: a retomada dos investimentos em agricultura nos países pobres e em desenvolvimento. Essa iniciativa vai contribuir para a oferta de alimentos no longo prazo.

A entidade também explica que o investimento da iniciativa privada na agricultura é fundamental para garantir produção de alimentos suficiente para atender a crescente demanda mundial. E ainda levanta outra questão: medidas isoladas como restrição às exportações apenas têm impacto no curto prazo, mas prejudicam uma solução definitiva para a escassez de alimentos.

O que há de positivo nisso é que as pessoas sabem o que fazer. Olha quantos exemplos de entidades apontando caminhos para o combate à fome. Só nos resta vontade política. Resta-nos que os interesses humanos prevaleçam sobre os interesses econômicos.

Wedis Martins

9 de janeiro de 2012

Bonecos reciclados


Bonecos como esse da foto estão sendo distribuídos às crianças internadas na Pediatria do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), no Rio

 Os palhaços são confeccionados com tampinhas de garrafas pet, pedaços de material emborrachado, restos de pontas de lápis e outros materiais recicláveis.

A ideia de utilizar o trabalho artesão é da dupla de voluntárias do Into, Denise Marques de Oliveira e Glória Diaz, professoras do ensino fundamental. As crianças adoram. Os bonecos chamam a atenção delas pelo colorido, criatividade e manuseio fácil.

O material é confeccionado por vários voluntários em suas casas. Em média são produzidos dez palhaçinhos por mês. Boa ideia. Simples. E não custa nada. A não ser o tempo de quem se disponibiliza a fazê-los. Mas nesse caso, não é um tempo gasto. É um tempo investido na tentativa de fazer uma criança mais feliz.

Wedis Martins

18 de novembro de 2011

Rios voadores

Rios voadores são cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam em cima das nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. 

A floresta amazônica funciona como uma bomba d'água. Ela puxa para dentro do continente umidade evaporada do oceano Atlântico que, ao seguir terra adentro, cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da floresta esquentada pelo sol tropical, as árvores devolvem a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água, que volta a cair novamente como chuva mais adiante.


Pequenas nuvens que surgiram como resultado da evapotranspiração da floresta amazônica, em torno do Rio Juruá, AM. Foto Gérard Moss

Projetadas em direçao ao oeste pelos ventos alísios, as massas de ar carregadas de umidade (boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta) encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Isso faz com elas se precipitem parcialmente nas encostas leste da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos.

Contudo, barradas por esse paredão de 4.000 metros, as correntes aéreas (ou rios voadores), ainda carregadas de vapor d’água, fazem a curva e partem em direção ao sul, para as regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e os países vizinhos. É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil se deve muito a um acidente geográfico localizado fora do país.


A quantidade de vapor de água transportada pelos rios voadores é imensa, podendo ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s), tudo isso graças aos serviços prestados da floresta. 
Estudos do INPA já mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia - ou seja, mais que o dobro da água que um brasileiro usa diariamente. Estima-se que haja 600 bilhões de árvores na Amazônia: imagine então quanta água a floresta toda está bombeando a cada 24 horas.

É possível ver a olho nu o processo de reciclagem da umidade. Pouquíssimo tempo depois da passagem da chuva, a floresta começa a lançar a umidade de volta para a atmosfera. Foto Margi Moss.

O Projeto Rios Voadores pesquisa, por meio da análise de amostras de vapor de água coletadas em um pequeno monomotor, as massas de ar que provêm da Amazônia trazendo umidade para outras regiões do Brasil. Essas massas de ar são conhecidas hoje como rios voadores.
Na tentativa de identificar a origem do vapor de água transportado pelas massas de ar vindos da Amazônia e quantificar o papel da evapotranspiração da floresta amazônica nas chuvas que caem nas regiões mais ao sul, Gérard Moss e o professor Eneas Salati, idealizaram o Projeto Rios Voadores.

Na primeira fase do projeto, realizada entre 2007-2009, foram coletadas 500 amostras de vapor de água de várias regiões do Brasil, principalmente da Amazônia. Estas amostras foram analisadas pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP.

Na segunda fase, os pesquisares irão interligar os resultados das análises com as condições meteorológicas regentes na hora da coleta. Por meio de parceria com prefeituras de algumas cidades no país, eles pretendem também inserir uma aula sobre os rios voadores nas escolas municipais da rede pública, com oficinas de treinamento dos professores e fornecimento de material didático.

Wedis Martins

4 de novembro de 2011

Transformação do gás do esgoto em combustível para carros

Uma parceira entre o Brasil e a Alemanha promete ajudar a diminuir as emissões de dióxido de carbono dos automóveis na atmosfera. A ideia é transformar o gás liberado no processo de tratamento de esgoto em combustível para os carros, no lugar do petróleo. A transformação do biogás de esgoto em combustível já ocorre em cidades como Estocolmo, na Suécia, e em Berna, na Suíça. 


Aqui no Brasil, o projeto-piloto será implantado pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) na cidade de Franca, no interior paulista. A estação de tratamento de esgoto da cidade será equipada com um biodigestor que vai captar diariamente 2.700 m³ de biogás e irá enriquecê-lo com a inserção de componentes químicos para que se transforme em 1.800 m³ de biometano, que tem o mesmo poder calorífico da gasolina.

À esquerda, estação de tratamento de esgoto de Franca, no interior de São Paulo. À direita, exemplo de ônibus que é abastecido com biogás enriquecido a partir do tratamento de esgoto. Parceria entre Brasil e Alemanha prevê investimentos de R$ 6 milhões em projeto inédito no país.

Esse produto resultante do tratamento do esgoto será aplicado na frota de veículos da Sabesp que atende a região de Franca. De acordo com os pesquisadores que estão por trás do projeto, um metro cúbico de biometano equivale a um litro de gasolina. Com isso, eles estimam ter uma economia de 1.800 litros de gasolina por dia e uma redução nas emissões de CO2.

Estimativa da organização ambiental World Resources Institute, sediada em Washington, nos EUA, é que cada litro de gasolina emitiria cerca de 2,28 kg de CO2. Com o experimento, anualmente haverá a redução de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de dióxido de carbono com o reaproveitamento do gás.

A previsão é que a instalação do biodigestor ocorra até março de 2012. Os pesquisadres ainda estão pensando em como irão levar este gás combustível aos veículos que serão convertidos para recebê-lo. Se irão construir um caminhão adequado ou um novo ponto de distribuição. Segundo eles, qualquer cidade com mais de 20 mil habitantes pode aderir a esta tecnologia. São Paulo, por exemplo, poderia ter todos os seus 5 mil m³ de biogás que gera por hora, transformado em combustível a partir do beneficiamento.

Wedis Martins