31 de maio de 2012

Livro sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo


Desmatamento e degradação florestal representam uma fração significativa das emissões anuais de gases de efeito estufas induzidos por ação humana na atmosfera, a maior fonte de perdas na biodiversidade e a destruição de milhões de lares familiares. Apesar das causas serem locais/regionais, suas consequências são globais.

O livro Desmatamento ao redor do mundo, editado por Paulo Moutinho, biólogo e mestre e doutor em ecologia, diretor Executivo do IPAM, fornece uma visão geral sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo, incorporando análises às suas causas, impactos e ações de prevenção.

Seus 17 capítulos, organizados em três seções, discutem o impacto do desmatamento no clima, solo, biodiversidade e população humana. Iniciativas para prevenção também são discutidas. Uma ênfase especial é dada ás diferentes técnicas de sensoriamento remoto e mapeamento que poderiam ser usadas como fonte para tomadores de decisão e para a sociedade para promover a conservação florestal e controlar o desmatamento.


Faça o download da publicação (em inglês) gratuitamente: www.intechopen.com/books/deforestation-around-the-world

Fonte:IPAM

23 de maio de 2012

Agricultura e educação

A agricultura faz parte da história do Brasil desde o seu início. Não importa o momento histórico, nós sempre contamos com esta atividade como importante pilar da nossa economia. Culturas como a do açúcar, do café e da laranja, são alguns exemplos.


Mas para que a agricultura possa cumprir sua missão, é preciso profissionais bem preparados. O desenvolvimento da agricultura e suas cadeias agroindustriais, cada vez mais complexas e baseadas em tecnologias, requerem um grande número de pessoas qualificadas, para atuar tanto no campo, como na pesquisa. Por exemplo, as atividades exercidas por trabalhadores rurais - que antes eram exercidas por pessoal tipicamente não especializado - hoje em muitos casos exigem treinamento e formação específica.

Isso porque tais atividades incluem o uso e manutenção de maquinário sofisticado – uma colheitadeira das mais modernas pode custar até 500 mil reais – e, assim, é preciso pessoas qualificadas para operá-lo. A migração da colheita de cana-de-açúcar manual para a mecanizada, com suporte para recolocação profissional dos cortadores, é um bom exemplo.

Os funcionários das fazendas ou prestadores de serviço precisam gerenciar compra de insumos e venda do produto, manejar os recursos naturais (água, solo, vegetação nativa), assegurar infraestrutura e condições de trabalho seguindo as exigências do Ministério do Trabalho, mapear a propriedade de forma georreferenciada, executar processos de seleção e qualidade pós-colheita. A lista das capacidades que o novo mercado agro exige é realmente enorme e depende muito do tipo de produto cultivado e da escala da produção.

As cadeias agroindustriais também estão mais sofisticadas e por isso exigentes de profissionais altamente capacitados. Isso inclui as diversas indústrias produtoras de insumos, os processadores e transportadores, e toda uma gama de serviços – bancos, seguradoras, corretoras, tecnologia da informação, comunicação e marketing. Trabalham no setor agro, então, engenheiros dos mais diversos tipos, administradores, economistas, biólogos, geógrafos, gestores ambientais e jornalistas.

O perfil do moderno agricultor brasileiro é muito diferente do que a população urbana imagina. E tudo indica que cada vez mais teremos agricultores capacitados e com características empreendedoras. A idade média do agricultor no Brasil é 42 anos, enquanto nos Estados Unidos são 60 e na Europa 70 anos. Diferentemente de várias partes do mundo, a agricultura brasileira atrai os jovens, dado o dinamismo do setor e as incríveis oportunidades e perspectivas que se apresentam para esse setor.

Entretanto, não falta também espaço para mão de obra não qualificada, que, infelizmente, o país tem de sobra, como trabalhadores rurais. São homens e mulheres que trabalham em atividades de plantio, colheita e tratos culturais no campo, que podem requerer mais ou menos especialização.

Educação:

Apesar da crescente qualificação da mão de obra agrícola, ainda há muito por fazer, dado que persiste uma diferença significativa de nível educacional entre trabalhadores rurais e não rurais, e entre a população rural e a urbana em geral. A boa noticia é que o crescimento dos anos de estudo tem sido mais acentuado nos trabalhadores rurais (e também entre os outros tipos de trabalhadores nas empresas agro) do que nos demais setores. Além do crescimento da educação básica, o ensino superior também tem avançado consideravelmente na agricultura.

São diversas as formações superiores disponíveis para capacitar jovens a entrar no mercado de trabalho agro. Além do tradicional curso de agronomia, existem muitos outros cursos superiores desenhados para atender esse mercado, como administração rural e de agroindústria, diversos cursos de processamento de alimentos (como ciência de laticínios e tecnologia em açúcar e álcool), zootecnia, e engenharia de pesca. Em 2001, eram 363 cursos diretamente ligados ao agro e em 2009, esse numero chegou a 962. Foram quase 600 novos cursos, o que representa aumento de 265%, acompanhando a tendência de forte crescimento do ensino superior no país na última década.

Em termos de número de estudantes matriculados, mais de 150 mil pessoas estão buscando formação na área agrícola, o que representa 3% do total de matrículas do Brasil. Em 2009, pouco mais de 22 mil alunos concluíram o ensino superior em áreas agro e foram prontamente absorvidos pelo mercado. O aumento nas matrículas e cursos agro é maior no Centro Oeste e Nordeste, dado a relativa falta de universidades e faculdades somado ao fato de serem áreas de fronteira agrícola.

Wedis Martins 

Fonte: http://www.redeagro.org.br/
Foto: Mataparda (Flickr)


11 de maio de 2012

A APA Guapimirim e a proteção dos manguezais

Há alguns meses atrás eu visitei a APA Guapimirim, que fica na cidade de Guapimirim, no RJ. Para quem não sabe, as APAs são áreas de conservação ambiental (instituidas pelo poder público), que têm por objetivo conciliar atividades humanas com a preservação da vida silvestre e a proteção dos recursos naturais.
Em uma APA, as atividades produtivas são orientadas de forma a impedir a degradação ambiental e a assegurar a melhoria da qualidade de vida da população.
Mudinhas para a recuperação de uma área de 3000m2 à margem do Rio Guapimirim. Nesse dia, nós voluntários abrimos covas, roçamos e plantamos 300 mudas de espécies nativas de mata atlântica.

A APA de Guapimirim existe desde 1984 (criada pelo decreto 90.225) e tem como missão proteger os remanescentes de manguezais situados no recôncavo da Baía de Guanabara e assegurar a permanência e sobrevivência de populações humanas que mantém uma relação estreita com o ambiente, vivendo dos seus recursos naturais e mantendo aindas carecterísticas tradicionais no convívio com a natureza.
O lugar possui cerca de 14mil ha e, além de Guapimirm, abrange também as cidades de Magé, Itaborai e São Gonçalo.
A APA possui uma importância enorme porque proteger os manguezais significa preservar um filtro biológico que retém material poluente e depura a qualidade da água.
Além disso, o manguazal desempenha outros importantíssimos papeis na natureza. São eles:
* Controla a erosão costeira provocada pelo batimento das ondas e por cheias excessivas dos rios, evitando assim o assoreamento de rios e baías;
* Contribui para a riqueza das águas litoraneas através de exportação de matéria orgânica: o manguzal recebe compostos trazidos pelos rios e os recicla, transformado-os em matéria orgânica que servirá de alimento para os ecossistemas marinhos;
* É um ecossitema que serve de abrigo e é rico em alimento, criando diferentes nichos diferentes espécies de animais que ali passam toda ou pelo menos parte de suas vidas utilizando os diversos habitats para reprodução, alimentação e desenvolvimento;
* É fonte de alimento e sustento para inúmeras famílias que dependem dele para sobreviver;
* Pode ser utilizado como meio de recreação e fonte de lazer, e ainda, como meio para o desenvolvimento de pesquisas científicas.
  Voluntários
Para garantir que os manguezais do recôncavo da Baía de Guanabara desempenhem todas as suas funções, a APA de Guapimirm realiza uma série de atividades e conta com a ajuda dos moradoers do seu entorno e de seus visitantes.
  
Rio Guapimirim

ESTAÇÃO ECOLÓGICA GUANABARA
A Estação Ecológica Guanabara foi criada pelo decreto s/n de 15 de fevereiro de 2006, com cerca de 2mil ha, abrangendo parte dos munícipios de Guapimirim e Itaborai. É a área mais conservada da Baia de Guanabara, apresentando carecterísticas ecológicas e biológicas compatíveis com os manguezais isentos de intervenção humana agressiva.
É a última área da Baia de Guanabara a apresentar características cênicas extremante próximas ao período anterior a colonização européria no pais. Constitui um dos últimos trechos de manguzal contínuo de médio porte, além de abrigar espécies ameaçadas de extinção, no estado do Rio de janeiro, como a Anhinga anhinga (Biguatinga), Dencrocygna bicolor (Marreca-caneleira) e o Caimam latirostris (Jacaré-do-papo-amarelo).
Wedis Martins
Site da APA Guapimirim: http://www4.icmbio.gov.br/apaguapimirim//
Fonte: Todas as informações desse post foram coletadas na APA Guapimirim.

3 de fevereiro de 2012

Nova espécie de crocodilo pré-histórico é descoberta por cientistas



Classificado como Aegisuchus witmeri, a criatura extinta foi apelidada de “crocodilo-escudo”, por causa da grossa proteção óssea que envolvia a cabeça


Uma nova espécie de crocodilo pré-histórico foi descoberta por cientistas das Universidades do Missouri e de Marshall, ambas nos EUA. Nomeado como Aegisuchus witmeri, a criatura extinta foi apelidado de “crocodilo-escudo”, por causa da grossa proteção óssea que envolvia a cabeça.

A descrição da espécie foi publicada na revista PLoS-ONE, da Public Library of Science, e, de acordo com os autores, amplia a compreensão sobre a evolução dos répteis e poderá ajudar a encontrar novas formas de proteger espécies atuais de eventual extinção.


O Aegisuchus witmeri viveu há cerca de 95 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior. A espécie foi identificada a partir do estudo de um pedaço de crânio fossilizado, descoberto no Marrocos e mantido por vários anos no Royal Ontario Museum, no Canadá.

“O ‘crocodilo-escudo’ é o ancestral mais velho dos crocodilos modernos já encontrado na África. Sua descoberta mostra que os ancestrais desses répteis eram muito mais diversos do que estimávamos”, disse Casey Holliday, da Universidade do Missouri.

Por meio da análise de sinais de vasos sanguíneos no pedaço de crânio, os pesquisadores verificaram que o animal tinha uma estrutura no topo da cabeça, que lembra um escudo. A disposição dos vasos, que levavam sangue a uma área circular da pele sob o escudo, é algo nunca antes observada em crocodilos.

Os cientistas estimam que a estrutura de proteção também era usada para atrair parceiros na hora do acasalamento e para regular a temperatura na cabeça do animal.

Por meio da comparação do crânio do Aegisuchus witmeri com o de outros crocodilianos, os cientistas concluíram que a nova espécie tinha um crânio mais chato do que os demais. Segundo eles, o “crocodilo-escudo” deve ter tido mandíbulas finas e provavelmente se alimentava de peixes, não devendo ter enfrentado os dinossauros da época.

Os pesquisadores estimam que a espécie analisada tinha cerca de 9 metros de comprimento com uma cabeça de 1,5 metro. “Achamos que ele usava essa cabeça longa como uma espécie de armadilha para peixes. Talvez ele ficasse deitado de boca aberta, esperando que peixes passassem à sua frente para então fechá-la e se alimentar sem muito esforço e dispensando a necessidade de mandíbulas fortes”, disse Nicholas Gardner, da Universidade de Marshall.

Wedis Martins
 

26 de janeiro de 2012

Comida para todo mundo

Há alguns meses chegamos ao marco de sete bilhões de pessoas no mundo. Muito se falou sobre isso. O que não se falou, porém, foi que, nesse atual nível populacional, um bilhão de pessoas passa fome e os desafios para produzir mais alimentos de forma sustentável, sendo economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto, são cada vez maiores.

Em recente artigo publicado no site do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), José Graziano da Silva, diretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), disse: “ao contrário do que ocorreu na Revolução Verde, nos anos 50, desta vez a batalha da produção não poderá abstrair as intersecções com três modalidades de ‘fomes’ então ignoradas: a ‘fome’ de empregos; a ‘fome’ de direitos sociais, sobretudo nas fronteiras rurais; e a ‘fome’ de equilíbrio ambiental”.
Além disso, o ambiente para a produção é cada vez mais incerto. As preocupações atuais vão além dos tradicionais fatores econômicos, como a volatilidade dos preços. Muitas incertezas, por exemplo, giram em torno dos impactos da mudança do clima nas condições de produção. Portanto, diante da necessidade de elevar a oferta mundial de alimentos, é preciso criar sistemas de produção eficientes e ao mesmo tempo sustentáveis – um desafio que só será superado por meio de investimentos em pesquisa para o desenvolvimento de novas tecnologias para aumentar a produtividade e a qualidade dos alimentos.

O relatório da FAO, “Perspectivas da Agricultura e Desenvolvimento Rural das Américas”, enfatiza a necessidade de mais e melhores investimentos em pesquisa e desenvolvimento de variedades adaptadas às condições geradas pelo efeito da mudança do clima; tecnologias de irrigação para melhor uso da água e sistemas de produção com menor impacto ambiental; restauração da agrobiodiversidade, sistemas de produção locais e produtos que ajudam na diversificação da dieta; promoção de hábitos alimentares mais saudáveis; e mecanismos financeiros e não financeiros para administrar os riscos relacionados ao mercado, à volatilidade dos preços e à mudança do clima.

Sobre a volatilidade dos preços dos alimentos, o Relatório dos Índices da Fome Mundial - 2011, do International Food Policy Research Institute (IFPRI), mostra algumas ações que podem colaborar para enfrentá-la e, consequentemente, para combater à fome, tais como: acumular estoques de alimentos, compartilhar informações sobre o mercado, investir em pequenos produtores e em agricultura sustentável, fomentar e apoiar oportunidades de renda não agrícola nas áreas rurais, e melhorar as opções de meios de subsistência para os pobres em áreas urbanas.

Por outro lado, A FAO ressalta um aspecto positivo da alta do preço dos alimentos: a retomada dos investimentos em agricultura nos países pobres e em desenvolvimento. Essa iniciativa vai contribuir para a oferta de alimentos no longo prazo.

A entidade também explica que o investimento da iniciativa privada na agricultura é fundamental para garantir produção de alimentos suficiente para atender a crescente demanda mundial. E ainda levanta outra questão: medidas isoladas como restrição às exportações apenas têm impacto no curto prazo, mas prejudicam uma solução definitiva para a escassez de alimentos.

O que há de positivo nisso é que as pessoas sabem o que fazer. Olha quantos exemplos de entidades apontando caminhos para o combate à fome. Só nos resta vontade política. Resta-nos que os interesses humanos prevaleçam sobre os interesses econômicos.

Wedis Martins