16 de agosto de 2012

Equivalência substancial

É cada vez maior a necessidade de procedimentos de avaliação da segurança alimentar de alimentos derivados de organismos geneticamente modificados (OGMs). Nesse post, irei falar sobre um dos critérios utilizados para essa avaliação, a equivalência substancial (ES).

Estabelecer a ES é uma maneira de se comparar as características do alimento derivado de OGM, ou alimento oriundo de quaisquer outros recentes avanços da biotecnologia, com seu análogo convencional. ES engloba o conceito de que, se um alimento ou ingrediente alimentar derivado dos recentes avanços em biotecnologia for considerado substancialmente equivalente a um alimento ou ingrediente alimentar convencional, aquele alimento poderá ser considerado tão seguro quanto esse.

Para se estabelecer a ES, os alimentos derivados dos recentes avanços em biotecnologia (ex: nutracêuticos, OGMs, bioingredientes obtidos por fermentação e tratamentos enzimáticos) devem ser comparados com as espécies ou com os alimentos derivados destas espécies os mais próximos possíveis.

A escolha adequada de um alimento-referência para se estabelecer a ES em termos de composição depende de alguns fatores. É mais apropriado se comparar matérias-primas não processadas. Entretanto, se o alimento só for consumido uma vez processado (ex: óleo refinado de soja, farelo de soja), a comparação pode ser realizada entre o alimento derivado de OGM e o alimento convencional processado da mesma maneira.

No que se refere a plantas geneticamente modificadas (PGMs), o estabelecimento da ES engloba: (I) avaliação em nível molecular da fonte alimentícia geneticamente modificada; (II) comparação das características fenotípicas da PGM com uma planta convencional; e (III) comparação analítica entre a composição da PGM e seus derivados e a composição de análogos convencionais.

O plantio das PGM deve ser realizado nas mesmas condições de plantio de plantas convencionais. Animais GM devem ser alimentados, manejados e transportados da mesma maneira que os animais convencionais. Alimentos derivados de OGMs (microorganismos GM, PGM, e animais GM) devem ser processados nas mesmas condições que os alimentos derivados de organismos convencionais. No caso de safras comerciais de grãos, porém, muitas vezes, linhagens de PGM, isogênicas à linhagem parental, não são possíveis, a exemplo dos grãos de milho, híbridos de duas linhagens. Assim, para comparação, a linhagem mais próxima possível deve servir de referência.

O conceito de ES não está previsto explicitamente na legislação brasileira. A lei que estabelece normas para o uso das técnicas de engenharia genética determina apenas que os OGMs devem oferecer a mesma segurança que o organismo receptor ou parental sem efeitos negativos para o meio ambiente. No entanto, o estabelecimento da ES dos alimentos derivados de OGMs é uma exigência dos parceiros econômicos do Brasil: Europa e América do Norte.

Wedis Martins

Fonte: artigo “Equivalência substancial da composição de alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas (PGM)”, publicado na revista Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. (Autores: Márcio A. F. Belém, Ilana Felberg, Elizabeth Borges Gonçalves, Lair Chaves Cabral, José Luís V.de Carvalho, Esdras Sundfeld e Marília Regina Nutti)


Foto: SOL Cardona (Flickr) 

4 de agosto de 2012

Combate natural II - insetos

Como disse no post anterior (Combate natural I - caldas), um dos principais desafios da agricultura orgânica é encontrar os meios adequados de combater pragas e doenças sem a utilização de pesticidas. Além das caldas, outra estratégia para contornar esse problema é o controle biológico por conservação, que utiliza insetos e parasitóides existentes naturalmente no ambiente para controle dos insetos que se alimentam de plantas e são indesejáveis na produção agrícola.

Um grupo da Embrapa, que conta com a entomóloga Alessandra de Carvalho Silva, vem empregando plantas que fornecem abrigo e alimento alternativo para esses “reguladores naturais”.


Ela explica que para que os insetos desejáveis sejam atraídos e mantidos na área de produção, são usadas plantas que fornecem pólen, néctar e insetos diferentes de pragas agrícolas. Uma vez presentes nos terrenos, eles acabam se alimentando das pragas que infestam as plantações.

A couve, por exemplo, tem como praga um tipo de pulgão, que é o alimento preferencial de algumas joaninhas (nome popular dos insetos coleópteros da família Coccinellidae). Quando se planta couve com coentro, atraindo pulgões de outra espécie, a joaninha se instala permanentemente no local porque encontra esse alimento, além daqueles fornecidos pelas flores, e acaba também se alimentando da praga da couve.

Alessandra conta que o mesmo acontece se associamos a plantação a uma espécie de adubo verde, chamada Gliricídia. Além de fertilizar o solo com uma planta de adubo verde, suas flores atraem as joaninhas por causa dos pulgões ali presentes.

Wedis Martins

Fonte: revista Rio Pesquisa - Faperj
Foto: Tatah (Flickr)

25 de julho de 2012

Combate natural I - caldas


A agricultura orgânica é aquela que não utiliza agrotóxicos nas plantações. Isso é ótimo, pois é mais seguro para quem planta e para quem consome. No entanto, é também um constate desafio para o agricultor, que precisará combater pragas e doenças sem pesticidas.

Para resolver esta questão, algumas estratégias são utilizadas. Um exemplo é o emprego de caldas, um tipo de defensivo alternativo. Elas são feitas a partir de produtos naturais e alguns componentes químicos que não causam prejuízos à saúde e ao meio ambiente, como enxonfre e cal virgem adicionados em pequenas concentrações.

Uma das mais conhecidas é a calda bordalesa, que é obtida pela mistura de solução de sulfato de cobre com suspensão de cal virgem ou hidratado. A mistura é usada para combater fungos comuns, como o fungo pinta preta, recorrente nas culturas de tomate e batata.

De acordo com o fitossanitarista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro, (Pesagro-Rio), Luiz Augusto de Aguiar, há evidencias de que a calda já era usada na Europa, no início do século XIX, para o controle de doenças fúngicas. Mesmo contendo elementos como cobre e cal, seu uso na agricultura orgânica é permitido por sua baixa toxidade e por contribuir para o equilíbrio nutricional das plantas, ao fornecer cálcio o cobre.

O pesquisador diz que essas misturas tem se mostrado muito eficientes, tanto em experimentos em estufas quanto no campo, e tornam-se ainda mais eficazes se aliadas aos métodos de agrobiodiversidade, que já deixa o solo mais nutritivo e fortalecido.

Wedis Martins

Fonte: revista Rio Pesquisa - Faperj

18 de julho de 2012

Dejeto suíno e toxicidade do solo

Pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP mostra que os dejetos de suínos utilizados como fertilizante agrícola podem apresentar toxicidade para a fauna que habita o solo (edáfica).

De acordo com a autora, a zootecnista Júlia Corá Segat, o Brasil ocupa atualmente a 4ª posição entre os produtores mundiais de carne suína. Essa produção em pequena área territorial gera uma grande quantidade de dejetos de suínos por unidade de área agrícola. Isso porque a alternativa mais utilizada para descarte desses resíduos é a sua aplicação como fertilizante agrícola, prática que tem gerado um dos maiores problemas de poluição ambiental e de impacto nos organismos que habitam os solos.

A zootecnista avaliou por meio de testes ecotoxicológicos os efeitos de doses crescentes de dejeto de suínos — 0, 25, 50, 75 e 100 metros cúbicos por hectare. Em diferentes tipos de solo (Argissolo Vermelho Eutrófico, Latossolo Vermelho Distrófico, Neossolo Quartzarênico e Solo Artificial Tropical) avaliou-se a sobrevivência, a reprodução e o comportamento de minhocas (Eisenia andrei) e colêmbolos (Folsomia candida), uma espécie de inseto.

Segundo ela, os resultados das avaliações com minhocas mostraram que no Neossolo Quartzarênico a toxicidade do dejeto causou letalidade a 100% dos animais nas duas maiores doses testadas.

Os resultados dos testes em colêmbolos mostraram toxicidade em todas as doses testadas, causando letalidade significativa na menor dose de dejeto aplicada. As doses usadas para o teste de reprodução causaram redução no número de juvenis gerados em todos os solos testados.  E no teste de comportamento foi observada fuga dos organismos do solo tratado com as duas maiores doses de dejeto de suínos.

Ecotoxicologia terrestre
A ecotoxicologia terrestre é utilizada para avaliar efeitos de substâncias que, quando adicionadas aos solos, causam impactos em organismos, mensurando as respostas de alterações na taxa de letalidade, reprodução, desenvolvimento e comportamento de organismos edáficos padronizados.

De acordo com Júlia, no Brasil a ecotoxicologia terrestre é uma ferramenta nova e pouco utilizada, que vem sendo aos poucos implantada no país. Já na Europa é amplamente usada e até obrigatória para indicar a toxicidade de resíduos que possam ter como destino os solos.

Wedis Martins

Fonte:  agência USP

3 de julho de 2012

Inoculantes nas lavouras

O nitrogênio é o principal elemento utilizado pelas plantas para seu desenvolvimento. Como este é um elemento caro, uma alternativa para sua absorção é a utilização de bactérias que se associam com diversas plantas. Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) estudam a ação dessas bactérias nas leguminosas através do uso de inoculantes.

Inoculante é todo material contendo microrganimos e que atua favoravelmente no desenvolvimento das plantas. É um produto natural que não causa prejuízo para o meio ambiente. Os inoculantes são específicos para cada planta e seu uso aumenta a produtividade da lavoura, reduz o uso de fertilizantes nitrogenados, melhora a qualidade do solo e garante uma economia para o agricultor que deixa de gastar com fertilizantes.

O inoculante para leguminosas produzido pela Embrapa Agrobiologia contém bactérias fixadoras de nitrogênio, chamadas rizóbios que, quando em contato com as raízes das leguminosas, induzem a formação de pequenas bolinhas, chamadas de nódulos. No interior dos nódulos ocorre o processo de aproveitamento do nitrogênio do ar por estes microrganimos. Este processo é chamado de fixação biológica de nitrogênio.

De acordo com a pesquisadora Cristhiane Amâncio, alguns dos principais benefícios da chamada fixação biológica do nitrogênio são o fornecimento do nitrogênio a baixo custo e a promoção de crescimento da planta.

Wedis Martins

Fonte: prosarural