1 de março de 2010

Concessões de petróleo e gás natural interferem biodiversidade da Amazônia peruana

Universidade da Espanha aponta os perigos da concessão de áreas da Amazônia peruana para a exploração de petróleo e gás natural. Segundo o estudo da Universidade Autônoma de Barcelona, as atividades prejudicam seriamente a biodiversidade da região.

Os autores da pesquisa, Martí Orta e Matt Finer, concluíram que atualmente 41% da Amazônia peruana está loteada em 52 concessões. A maior porcentagem da história para este tipo de atividades.

Abaixo, mapa do governo peruano mostra concessões para exploração de petróleo no país: região amazônica está quase totalmente repartida.

O levantamento mostra também que a maioria das concessões foi feita em áreas sensíveis do ponto de vista ambiental ou da questão indígena. Um quinto das reservas ambientais e mais de metade das terras indígenas na Amazônia peruana têm concessões em seus domínios. E 60% das terras para as quais o Peru propõem criar reservas para índios isolados (que não têm contato com o “homem branco”) estão dentro de áreas de concessão.

Projetos como o Yasuní-ITT, no qual o Equador tenta levantar fundos internacionais para evitar a exploração do subsolo de uma área de floresta com altíssima biodiversidade, são exemplos que deveriam ser seguidos pelo país, aconselham os pesquisadores. Para eles, é necessário aumentar o debate no sobre a necessidade de preservação de sua porção da Amazônia.

22 de fevereiro de 2010

Tratamento periodontal ajuda em problemas cardíacos


Além de causar a perda dos dentes na região afetada da gengiva, a periodontite está relacionada com o surgimento de problemas cardiovasculares. Com o objetivo de ajudar a baixar os casos de enfartes do miocárdio associados à doença, o médico e periodontista ,Ricardo Guimarães Fischer, professor da Universidade do Estado Rio de Janeiro (Uerj), vem desenvolvendo um estudo chamado, “O efeito do tratamento periodontal no controle da hipertensão arterial refratária”.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica de origem infecciosa, que atinge os tecidos ao redor dos dentes, gengiva, osso alveolar e ligamento periodontal, que dão suporte aos elementos dentários. Na maioria das vezes, ela não provoca dor. “Problemas periodontais são altamente prevalentes na população mundial, cerca de 80% a 90% têm gengivite, e 40% a 50%, periodontite” diz o pesquisador. Ele aconselha que ao ter qualquer sangramento na gengiva, a pessoa vá direto procurar um médico, pois isso pode ser um sinal de gengivite, que se não for tratada, pode virar uma periodontite.




“Uma vez instalada, a doença se torna uma fonte constante de produtos inflamatórios, caindo na corrente sanguínea, podendo ocasionar problemas no coração, no pulmão, nos rins e aos fetos”, explica Fischer. O tecido conjuntivo gengival da pessoa com periodontite (uma área mais ou menos equivalente ao da palma da mão) fica exposto e repleta por bactérias. E esse aumento de bactérias na boca e sua migração pelo sangue, de acordo com Fischer, aumentam a presença de proteína C-reativa, interleucina-6 e fibrinogênio, entre outras substâncias também conhecidas como marcadores inflamatórios.


“A relação entre a periodontite e as doenças cardiovasculares está na presença de bactérias na corrente sanguínea, já que a aterosclerose também é uma doença inflamatória crônica. A presença elevada desses marcadores inflamatórios aumenta o risco de enfarte, derrame cerebral e hipertensão em pacientes, explica.


Segundo o dentista, pacientes com periodontite têm de 1,3% a 1,6% mais chances de desenvolver doenças relacionadas ao coração. Em seu estudo, ele tratou 22 pacientes com hipertensão refratária e periodontite. 11 deles receberam tratamento periodontal. Após três meses, o professor pôde comprovar que os pacientes tiveram os marcadores inflamatórios diminuídos e apresentavam melhora na pressão arterial, enquanto os 11 restantes, que não receberam tratamento periodontal, não exibiam o mesmo progresso.


O próximo passo é verificar, dentro do prazo de um ano, se essa melhora no quadro inflamatório sistêmico trará algum benefício direto aos males causados pela terosclerose. “Se o paciente que sofreu um enfarte tratar a periodontite, terá menos chance de sofrer novamente um ataque cardíaco? É essa resposta que estamos tentando obter por meio de mais alguns testes. Com esse resultado comprovado, poderemos unir o trabalho do dentista ao médico e diminuir a reincidência de doenças cardiovasculares, a quantidade de dosagem de remédios e o número de internações desses pacientes que sofrem de aterosclerose”, diz.


O tratamento para periodontite, segundo Fischer, é simples e barato, mas, ainda assim, são muitos os casos de pessoas acometidas pela doença que hesitam ou demoram a procurar um dentista. O tratamento também traz benefícios diretos para pacientes com problemas renais, diabetes e também na gravidez, já que são doenças relacionadas pela presença dos marcadores inflamatórios no sangue.


Fonte: Revista Rio Pesquiosa - nº 9 (Faperj)

15 de fevereiro de 2010

produção mundial de alimentos não acompanha crescimento populacional

O número de pessoas no mundo não para de crescer, estimasse que chegue a 9 bilhões em 2050. Mas, infelizmente, não se pode dizer o mesmo do total de áreas cultiváveis, de água potável e de outros recursos fundamentais para a sobrevivência humana. Diversos artigos na dição do último dia 12 da revista “Science” mostram que mesmo com os avanços científicos e nas tecnologias agrícolas, o número de pessoas desnutridas já passou do 1 bilhão.

Para alimentar o mundo sem exacerbar problemas ambientais e, ainda por cima, tendo que lidar com a questão das mudanças climáticas, os cientistas apostam na adoção de medidas radicais na produção de alimentos. Eles pedem aos líderes mundiais que “alterem dramaticamente suas noções a respeito de agricultura sustentável de modo a prevenir uma fome de dimensões catastróficas até o fim deste século entre os mais de 3 bilhões de pessoas que vivem próximas à linha do equador”.

Plantação de Milho (Foto: Valdir Rodrigues)

Os pesquisadores clamam que os governantes “superem os conceitos populares contra o uso da biotecnologia agrícola”, particularmente com relação a culturas modificadas geneticamente, de modo a produzir mais em piores condições, e que os países tomem como base de suas regulações no setor os mais avançados trabalhos científicos.

“Estamos diante de uma queda de 20% a 30% na produção agrícola nos próximos 50 anos nas principais culturas entre as latitudes do sul da Califórnia e da Europa e a África do Sul”, disse David Battisti, professor da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e um dos cientistas que participaram do especial na "Science".

Eles explicam que a produção nas mais importantes culturas agrícolas declina drasticamente quando as temperaturas médias passam dos 30º C. As projeções são de que o fim do século, nas regiões tropicais e subtropicais, será de temperaturas mais elevadas do que as mais altas registradas atualmente.

São mais de 1 bilhão os desnutridos no mundo

Segundo Battisti, mesmo sem o fator aquecimento global, alimentar uma população que crescerá 30% em 40 anos seria um desafio imenso. “Precisaríamos dobrar a produção atual de grãos nos trópicos. O problema é que o clima mais aquecido reduzirá a produtividade, uma vez que a temperatura elevada reduz a eficiência do processo fotossintético”, explica.

Os cientistas estimam que o aumento na temperatura, a queda nas chuvas e o aumento da ação de pestes e patógenos poderão derrubar a produção de alimentos nas regiões tropicais e subtropicais do planeta em pelo menos 20% até 2050.

Os pesquisadores destacam medidas para tentar enfrentar a situação, tais como desenvolver sistemas que permitam produzir mais com menos terra, energia ou água e reduzir a poluição associada com os pesticidas agrícolas.

Battisti aponta que a chamada “revolução verde” na agricultura resultou em um aumento de 2% na produção anual nos últimos 20 anos, especialmente por meio do uso de novas variedades de plantas e do melhor uso da fertilização e da irrigação.

Mas, apesar desses avanços, há pouca – ou mesmo nenhuma, em muitos lugares – nova terra disponível para plantio. Por conta disso, mais inovações são necessárias para lidar com esse panorama adverso.

Fonte: Agencia Fapesp e www.sciencemag.org

11 de janeiro de 2010

Número do intoxização alimentar é maior em casa do que na rua

Um levantamento da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostrou que 27% dos casos de intoxicação alimentar, registrados entre 1998 e 2008, foram gerados por ingestão de alimentos preparados nas residências.
O fato chamou a atenção do órgão, pois o número de intoxicações ocorridas nas casas supera as provocadas por alimentos ingeridos em estabelecimentos comerciais ligados à área de alimentação como restaurantes, bares e padarias, que respondem por 24% do total.
Creches, escolas, asilos e outros locais representaram 39% das intoxicações alimentares. Em 10% dos casos não houve registros do local de contaminação.
A Secretaria computou 76,8 mil casos de doenças transmitidas por água e alimentos (DTA), durante estes 10 anos. A grande maioria deles – 72,5 mil – são casos de diarreia aguda causada por bactéria, principalmente a Salmonella, responsável por 7 mil deles. Entre os casos de diarréia aguda causada por Salmonella, segundo o estudo, 35% estão relacionados ao consumo de ovos crus ou mal cozidos e a alimentos preparados a base de ovos, como maionese. Outros 16% foram causados por bolos e doces, 11% pelo consumo de tortas, salgados e lanches, e 9% pela ingestão de carnes e aves. “O cuidado na hora de preparar alimentos é fundamental para evitar intoxicações, que além de diarréia, podem causar outros sintomas como vômito, cólicas, febre e, em alguns casos, distúrbios alérgicos, neurológicos e até morte”, explica Maria Bernadete de Paula Eduardo, diretora da Divisão de Doenças Transmitidas por Água e Alimentos do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria. Em novembro de 2009, o Ministério da Saúde revelou dados epidemiológicos que mostravam que 45% das intoxicações alimentares são originadas por alimentos preparados em casa. O manuseio incorreto e a conservação inadequada de alimentos foram destacados como sendo as principais formas de contaminação.

A intoxicação alimentar é, segundo o Ministério, responsável por mais ou menos 670 surtos, com 13 mil doentes todo ano.

Algumas dicas para evitar intoxicação alimentar:
  • Lavar periodicamente a geladeira, o freezer e o microondas;
  • As prateleiras da geladeira não devem ser cobertas por panos ou toalhas, pois assim impedem que o ar frio circule;
  • Verificar se as borrachas presentes nas portas da geladeira estão em boas condições, pois são elas que garantem o isolamento térmico;
  • Nunca utilizar alimentos após a data de validade;
  • Observar as condições especiais de cada alimento e suas recomendações.
Fonte: Secretaria Estadual de Saúde de SP; ANVISA; SaúdeVidaOnline

4 de janeiro de 2010

Plantas ornamentais podem ser usadas no tratamento de esgoto

Comunidades rurais que não contam com sistemas convencionais de coleta e tratamento de esgoto, ou que possuam sistema de saneamento que o trate de maneira secundária, podem utilizar uma nova tecnologia. Trata-se de um sistema natural para tratamento complementar de esgoto doméstico que utiliza plantas ornamentais, sobre leito de bambu e brita. A tecnologia, denominada wetland-construído, foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), da Unicamp, e oferece ainda baixo custo de operação.
Copo de leite (nome científico: Zantedeschia aethiopica Spreng). É uma das plantas utilizadas no processo. É de origem africana.
A utilização de bambu como meio-suporte é ideal para ser aplicado em áreas rurais, visto que o bambu é facilmente encontrado em qualquer parte do país. Tanto o ele como as pedras atuam como filtro e meio-suporte para microorganismos que proporcionam o tratamento. O sistema, ao ser testado na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), foi responsável por 30% da eficiência do sistema de tratamento na remoção de matéria orgânica e consiste em uma alternativa prática do ponto de vista operacional. Não há necessidade de uso de produtos químicos ou eletricidade e, por isso, o sistema torna-se ideal para pequenas propriedades, como sítios e fazendas.
Mini-papiro (nome científico: Cyperus papyrus `Nanus). É uma planta aquática de origem africana, também utilizada no processo.
“No Brasil, não havia relato da introdução de plantas ornamentais nesse sistema, embora a utilização desse tipo de tratamento seja crescente. Em outros países, essa configuração de tratamento é largamente usada, sendo encontrada até mesmo para o tratamento de esgoto industrial”, explica o engenheiro Edson Aparecido Abdul Nour. De acordo o engenheiro civil Luciano Zanella, autor da proposta, a idéia surgiu a partir de um problema no Vale do Ribeira em que se exigia o tratamento do esgoto em fazenda de plantação de bananas. “Em uma investigação dos sistemas existentes, resolvi testar algo já conhecido, adaptando para o tratamento com plantas ornamentais e utilização de bambu”, explica. Segundo Zanella, este tipo de sistema é recomendável como um tratamento complementar ao esgoto doméstico já tratado numa primeira etapa em que a remoção dos resíduos mais pesados foi feita. Na proposta do engenheiro, o resultado do tratamento complementar do esgoto poderia ser lançado em rios e lagos.
Beri-silvestre ou bananeirinha (nome cientifíco: Canna patens). também é usada no wetland-construído. É uma planta brasileira
“O sistema melhora muito a aparência, reduziu quase que completamente os sólidos e, razoavelmente, a matéria orgânica. Porém, não posso afirmar se poderia ser utilizado para irrigação, por exemplo, uma vez que não fiz testes para esta finalidade”, explica. Outra possibilidade, exemplifica, seria o reúso em vasos sanitários, tema de bastante importância no meio científico e tecnológico nos últimos anos, mas para o qual o esgoto ainda necessitaria de uma desinfecção. Fonte: rts.org