12 de dezembro de 2010

BR262 - primeira rodovia ecológica do país

Não é muito dificil encontrar animais mortos pelas estradas brasileiras. Segundo o Ibama, 2060 deles morrem atropolelados por ano. Felizmente, isso pode deixar de acontecer em pelo menos em uma rodovia nacional: a BR-262, que corta o Mato Grosso do Sul de Leste a Oeste, por mais de 750 km. Ela será a primeira rodovia ecológica do Brasil atestada pelo Ibama.

Imagem: arquivo Correio do Estado

A Superintendência do Ibama em Mato Grosso do Sul acaba de licenciar as obras de ampliação da BR no trecho dentro do Pantanal, que vai de Anastácio até Corumbá. As obras estão em andamento e, quando prontas, tornará este trecho o mais ecologicamente correto de uma rodovia asfaltada dentro do estado de Mato Grosso do Sul, e o primeiro no país com esse tipo de exigência feita pelo Ibama.

O projeto inclui passagens subterrâneas e sinalização visual e sonorizada para alertar os motoristas em relação a redução de velocidade em áreas de maior presença de animais. Alguns trechos receberão cercas para impedir a invasão dos animais na pista. A concepção da rodovia ecológica ganha ainda mirantes (um deles no Buraco das Piranhas) para o turista contemplar a natureza. Essa será a primeira rodovia no país com conceitos avançados de sustentabilidade. Com certeza é um avanço, porque se trata de uma obra complexa. Esperamos que outros exemplos aconteçam logo. Mas é claro que isso só resolve uma parte dos problemas. Se os animais estão tendo que fugir para a beira das estradas, é porque algo de errado está acontecendo no habitat deles. As queimadas, são um exemplo. Fonte: revistapantaneira.com.br

9 de novembro de 2010

Desafios ambientais do novo presidente

A nova presidente do Brasil (ao lado dos novos governadores, deputados e senadores) possui vários desafios pela frente. Somente em relação ao meio ambiente, são muitas as decisões que deverão ser tomadas. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) perguntou a alguns ambientalistas quais os principais desafios ambientais que o novo presidente deverá enfrentar. Veja abaixo o que eles consideram como temas chaves:

A busca de uma economia de baixas emissões é um dos grandes desafios do novo governo. Foto: Lucas Braga

Adriana Ramos (secretária executiva adjunta do Instituto Socioambiental-ISA) – Conquistar de fato a transversalidade é o maior desafio ambiental do próximo governo. Os instrumentos da política ambiental são limitados para lidar com a perspectiva da sustentabilidade socioambiental, por isso é fundamental que todas as áreas de governo estejam capacitadas para incorporar a temática em suas ações e iniciativas. Enquanto não equacionar isso, o governo vai continuar a colocar pressão para flexibilizar os instrumentos da política ambiental (reduzir unidades de conservação, alterar a legislação, facilitar o licenciamento) e seguirá promovendo o desenvolvimento insustentável do País. A questão urbana, em especial o saneamento básico, é também um grande nó ambiental, talvez um dos que mais afetam a vida das pessoas.

Nilo D’Ávila (coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace) – O próximo governo tem um desafio monstro que é a meta de redução de emissões. Mesmo que seja uma meta voluntária, há uma expectativa global de que seja cumprida. Nesse sentido, parece que o atual presidente e equipe ainda não entenderam a importância e a missão dos planos setoriais para o cumprimento das metas do País. Aprovado em agosto, o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) traz palavras-chave fortes e descreve o papel do Brasil, mas o que propõe mostra que ainda não se tem uma cultura de baixo carbono, que é muito nova. Baixo carbono parece ser o que foi a palavra sustentável há alguns anos; parece que vale qualquer coisa desde que o termo esteja lá. Outros temas importantes são o Código Florestal e a política energética. Nesse último caso, há muito desafios em relação às hidrelétricas na Amazônia, com Belo Monte, duas no Madeira, leilão no Teles Pires, além de projetos para usinas no Tapajós. Hoje, apenas três grandes rios que formam a Bacia Amazônica – Purus, Juruá e Negro – não têm projeto de barragem. Outro assunto onde há certo limbo é a legitimação da criação de unidades de conservação. Há cerca de 40 projetos para rever criação de UCs através de tapetão. No Código Florestal, conseguimos arrancar posicionamento dos candidatos à presidência, mas nas demais questões, há o risco de ter um presidente sem compromisso nenhum.

Paulo Moutinho (diretor executivo do IPAM) – São vários os desafios básicos que deverão ser enfrentados na área de meio ambiente pelo próximo presidente: 1 - Como colocar o Brasil na vanguarda de uma economia de baixo carbono e ter vantagem econômica no futuro; 2 – Como conciliar as macropolíticas na área de agropecuária e conservação florestal se, por um lado, o País tem um programa de contenção do desmatamento e, ao mesmo tempo, mantém um programa de investimento em infraestrutura e avanço de pecuária que demandam desmatamento; 3 – Como criar uma inflexão na tendência de uso de energias sujas e como enfrentar o desafio do presal, no momento em que o mundo precisa reduzir o consumo de combustíveis fósseis; 4 – Como evitar que o país fique para trás do ponto de vista tecnológico, já que investe pouco em tecnologias limpas e a indústria mundial (incluindo a China) inicia um processo de avanço tecnológico para redução de poluentes e gases de efeito estufa. O risco é continuar, no futuro de baixa emissão de carbono, dependente do know how de outros países, perpetuando a dependência tecnológica.

John Carter (fazendeiro do Mato Grosso) – Um grande desafio para o próximo presidente é resolver os impasses em relação ao Código Florestal. Um dos aspectos é em relação à Reserva Legal. No Brasil, há incentivos para cultura, esporte, ciência e tecnologia, mas não tem incentivos ambientais. A Reserva Legal não vem de graça. Não é justo não receber créditos de carbono através de REDD por ela. Além disso, o País precisará de uma política para lidar com questões como mudanças climáticas, enchentes, desabamentos. Vimos acontecer esses problemas em várias regiões neste ano, inclusive uma seca terrível. Em relação às unidades de conservação, todo mundo quer criar essas áreas, mas não há estrutura administrativa e financeira para a sua correta implantação. Neste ano foram revogadas várias UCs em Rondônia.

Fonte: www.ipam.org.br/revista/

19 de setembro de 2010

Sim, existem terremotos no Brasil

Terremotos como os ocorridos no Haiti e no Chile, no começo deste ano, nos assustam pela sua capacidade de destruição e morte. Porém, como mostra o cartoon de João Garcia, se engana quem pensa que eles não acontecem aqui no Brasil. Segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, no século XX, foram registradas mais de uma centena deles no país. Porém, a maior parte não ultrapassou 4 graus na escala Richter*. O de maior magnitude atingiu 6,6 graus e ocorreu no Mato Grosso, em 1955. As principais regiões afetadas por terremotos são aquelas localizadas próximas às bordas das placas tectônicas, onde ocorre o encontro entre duas ou mais placas diferentes. Como o Brasil está localizado no centro da Placa Sul-Americana, os abalos não são muito comuns no país. Quando acontecem, podem ser frutos de desgastes na placa tectônica, originando falhas (pequenas rachaduras) nelas; ou consequência de terremotos com epicentro em países da América Latina. Escala Richter A escala de Richter não tem limite máximo. De forma geral, terremotos com magnitudes de 3.5 ou menos são raramente percebidos; de 3.5 a 6.0 são sentidos e causam poucos danos; entre 6.1 e 6.9, podem ser destrutivos e causar danos em um raio de cem quilômetros do epicentro; entre 7.0 e 7.9, causam danos sérios em áreas maiores; e de 8 em diante são destrutivos por um raio de centenas de quilômetros. O ocorrido em janeiro no Haiti atingiu 7,0 na escala Richter e o do Chile, em fevereiro deste ano, 8,8 graus. Fontes: comciencia.br, brasilescola.com.br e folha.uol.com.br

5 de setembro de 2010

Pedido de patentes em células-tronco no país é baixo

O STF aprovou em 2008 as pesquisas com células-tronco embrionárias no país. Embora os estudos na área tenham aumentado desde então, uma pesquisa do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) mostra que vários países depositam mais patentes em células-tronco aqui do que nós próprios.

O maior depositante são, segundo o Inpi, os Estados Unidos. Depois vem o Canadá, Itália e Japão. Ter tantos países com patentes aqui é preocupante, pois as patentes são territoriais, ou seja, ela deve ser depositada em todos os mercados em que se pretende explorar uma mercadoria.

Um outro problema é que quando um pedido de patente é feito, pedidos semelhantes são bloqueados. Dessa forma, é provável que no futuro as tecnologias desenvolvidas por grupos brasileiros, mas não patenteadas por eles, sofram restrição de uso se, eventualmente, já houverem patentes concedidas a grupos estrangeiros.

“O governo tem investido em pesquisas de células-tronco, mas será que essas pesquisas, quando chegarem a resultados que possam ser protegidos, já não estarão protegidas por outros países? Será que estamos investindo em coisas que não vão poder ser comercializadas no país por conta da proteção de patentes?”, diz Priscila Rohem, pesquisadora do Inpi.

Para acompanhar o desenvolvimento do depósito de patentes em células-tronco no Brasil, a pesquisadora disponibiliza no site do Instituto, na parte de Alertas Tecnológicos (http://www.inpi.gov.br/menu-esquerdo/informacao/alerta-tecnologico-1.html), uma atualização a cada seis meses. Fonte: Agência Faperj

14 de agosto de 2010

Ameaça da extinção ronda os sapos, rãs e pererecas

O perigo da extinção ronda todos os seres vivos. O culpado? Adivinhem! O homem. São suas ações egoistas as grandes responsáveis pelas constantes ameaças da nossa flora e fauna. No estudo, "Os riscos de extinção de sapos, rãs e pererecas em decorrência das alterações ambientais", Vanessa Verdade, Marianna Dixo e Felipe Curcio explicam como o fantasma da extinção ameaça também esse grupo de animais.
 


A diversidade de anuros (popularmente conhecidos como sapos, rãs e pererecas) no mundo ultrapassa 5.600 espécies, e o Brasil é considerado atualmente o país que abriga a maior parte deles - 849. “Estar no topo desse ranking é motivo de orgulho para nós, mas exige muita responsabilidade. Quase 500 das espécies que vivem no país são endêmicas (exclusivas do Brasil). Isso significa que, se alguma delas for extinta, o mundo todo perde parte de sua diversidade”, explicam os autores.

 
A pesquisa mostra também que os anuros são um dos grupos de animais mais ameaçados de extinção no mundo - cerca de 30% deles correm risco de desaparecer nos próximos anos – e que desde 1980, 35 espécies já foram extintas na natureza. “Por apresentarem pele fina e permeável e, na maioria dos casos, fase larval que vive em ambiente aquático, esses animais são muito sensíveis a alterações tanto do ambiente aquático como do solo e do ar”, explicam.
 
 
Sapo Ponta-de-flecha. Esse é venenoso. Mas não é por isso que vamos deixá-lo morrer, né?
 

Um dos grandes problemas que os anuros (e todos os outros seres vivos) têm que superar é o fato de as áreas naturais estarem cada vez menores, mais alteradas e mais isoladas entre si. Com isso, muitas espécies deixam de encontrar no ambiente as condições necessárias para sobreviver. Uma espécie de perereca, por exemplo, que deposita ovos nas axilas de bromélias depende dessas para reproduzir. Se as bromélias desaparecerem, não haverá reprodução e a população deixará de existir.

Muitos anfíbios são considerados bioindicadores, pois sua pele permeável e o ciclo de vida em ambiente aquático e terrestre são características que os tornam suscetíveis a alterações no ambiente. “A sensibilidade de algumas espécies permite dizer que o ambiente não vai bem quando eles deveriam estar presentes e não estão. Mesmo em áreas em que o ambiente está aparentemente preservado, o desaparecimento de espécies de anfíbios nos diz que existe um problema. A crise é um importante alerta”, diz o estudo. O homem também bem que poderia usar sua sensibilidade para ver como seu estilo de vida está matando a natureza. 


Fonte: Agência Notisa