20 de março de 2011

Responsabilidade compartilhada no manejo do lixo

Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2008, realizada pelo IBGE, os lixões ao céu aberto são o destino final dos resíduos sólidos em 50% das cidades brasileiras. E isso, claro, não é nada bom. Veja alguns motivos do porquê (citados pela pesquisadora do Dep. de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Débora Kligerman):

1- frutos da decomposição da matéria orgânica, o lixo libera gás carbônico e metano para a atmosfera, solo e lençóis freáticos;

2- traz doenças como leptospirose, leishmaniose, cólera e desinteria;

3- ajuda na proliferação de vetores como moscas, ratos, baratos, pulgas e mosquitos;

4- polui os mananciais com o chorume (líquido escuro que escorre do lixo);

Antigo lixão Marambaia (Nova Iguaçu/RJ). Foto: Sérgio Eduardo de Oliveira

Para que esses problemas sejam evitados, os aterros sanitários são os locais mais adequados para o despejo dos resíduos sólidos. Eles são preparados com nivelamento de terra e selamento da base com mantas de PVC, impedindo que o ambiente seja contaminado.

Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, é um bom exemplo de como as coisas deveriam ser. Lá, o antigo lixão Marambaia deu lugar a Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Nova Iguaçu S. A..

O espaço é composto de aterro sanitário e industrial que permite o confinamento seguro do lixo, garantindo controle da poluição ambiental e proteção da saúde pública, uma unidade de tratamento do chorume e aproveitamento energético do biogás, uma unidade de britagem de entulho e uma unidade de gerenciamento de resíduos industriais que inclui um laboratório. Além disso, conta com um centro de educação ambiental e viveiro de mudas de Mata Atlântica.

Esquema de funcionamento da CTR Nova Iguaçu.

Embora a PNSB mostre que lugares assim são ainda muito poucos no país, as coisas estão começando a mudar. Segundo Débora, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, e regulamentada pelo ex presidente Lula, por decreto, em 23 de dezembro de 2010, é uma marco nessa questão. A lei visa melhorar a gestão do lixo a partir de divisão de responsabilidade entre a sociedade, poder público e iniciativa privada.

Alguns exemplos da partilha de tarefas: Ao poder público cabe apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de tecnologias apropriadas, por exemplo); às empresas, o recolhimento dos produtos após o uso; e, à sociedade, participar dos programas de coleta seletiva (condicionando adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos) e reduzir o consumo.

Débora particularmente acha importante a logística reversa da nova medida, em que o fabricante do resíduo sólido é também responsável pelo seu descarte (fato que esbarra em interesses comerciais).

Cabe aos geradores, ainda, garantir segurança dos processos produtivos, manter informações atualizadas, permitir a fiscalização, recuperar áreas degradadas e contaminadas sob sua responsabilidade e desenvolver programas de capacitação continuada.

Entre outras determinações, a lei obrigada também a substituição de lixões por aterros, até 2015, proíbe a importação de resíduos (ver post de 2/11/2010) e formaliza o trabalho de catadores de lixo, que chega a mais de um milhão, segundo o PNSB 2008.

Fonte: revista Radis de fevereiro de 2011

25 de fevereiro de 2011

Cachaça boa, é cachaça velha

É muito comum ouvirmos falar que quanto mais velho for o vinho ou o champagne, melhor ele é. Porém, o que muita gente não sabe é que essa regra se aplica também na cachaça (a terceira bebida destilada mais consumida no mundo e a primeira no Brasil).

Quem explica isso são pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no estudo "Efeito do envelhecimento na qualidade da cachaça produzida por pequenos produtores”, publicado em 2010 na revista Ciência e extensão. Segundo eles, as técnicas de envelhecimento trazem melhor sabor e aroma à bebida.

Os pesquisadores explicam que o processo de envelhecimento ou maturação consiste basicamente em armazenar a bebida destilada em barris de madeira por um tempo determinado (12 meses, no mínimo) e em condições adequadas (barris com capacidade entre 200 e 700 litros).

Barris de carvalho - lugar onde a cachaça sofre o processo de envelhecimento Foto: copo de cachaça (Flickr.com)

Essa ação traz mais qualidade à bebida já que a cachaça recém-destilada, além de não apresentar cor, possui sabor picante, áspero e seco, por melhor que tenha sido realizado o processo de produção em todas as suas etapas (fermentação e destilação). “O processo de envelhecimento produz mudanças na composição química, no aroma, na cor e é responsável pala diminuição do sabor alcoólico e agressividade da bebida, com simultâneo aumento da doçura e sabor de madeira, tornando-a sensorialmente mais agradável”, destacam.

Eles ressaltam que a maior difusão dessas técnicas pode ser particularmente interessante para os pequenos produtores de cachaça (que fazem a fabricação artesanal, a chamada agroindústria de alambique).
A maior qualidade conseguida na cachaça, levaria ao aumento das vendas e isso traria um ganho mercadológico, pois conquistariam mais competitividade e preço em relação a fabricação industrial (setor responsável por 75% da produção nacional de cachaça, que é em torno de 1,3 bilhões de litros por ano).

Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

10 de fevereiro de 2011

Dá para economizar 400 mil litros de água por ano

Nós conseguimos economizar 400 mil litros de água por ano se soubermos fazer um consumo racional e consciente de água. São ações simples, mudanças que não atrapalham a rotina, e que podem nos ajudar a acabar com o desperdício. A descarga do vaso sanitário desregulada, por exemplo, merece nossa atenção. Ela é uma das campeãs em desperdício. Segundo matéria do Jornal Hoje, de 27/10/2010, da TV Globo, o sistema pode consumir até 30 litros de água (três vezes mais do que o necessário).

O jornal aconselha comprar válvulas de descarga acopladas, com vazões diferenciadas, que possibilitam reduzir em torno de 60 a 70% o consumo. Porém, eu acho que o melhor mesmo é utilizar os vasos com caixas acopladas, já que o consumo de agua é de cerca de seis leitros (bem menos que aqueles 30).

Consulte o simulador de consumo Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e veja o quanto você gasta de água em casa.

Veja também uma tabela que nos ajuda a dimensionar o quanto gastamos
Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2010/12/consumo-consciente-evita-o-desperdicio-de-agua-em-casa.html

23 de janeiro de 2011

Arte também é vida

Hoje não vou fazer divulgação científica. Vou fazer divulgação artística. E antes que alguém pense que não tem nada haver ciência e arte, digo que tem haver sim. Como dizia o escultor, pintor, engenheiro e cientista Leonardo da Vinci (1452-1519), a ciência e arte completam-se, constituindo a atividade intelectual.

Como a ciência, a arte é criatividade, é curisodade, é experimentação. E essa relação fica clara quando pensamos no poder que a arte e a ciência têm no sentido de propiciar uma relação entre o ser humano e seu meio ambiente (natural e cultural).

Sem falar nos casos em que atividades artísticas são usadas com o intuito de divulgar ciência, como nas peças de teatro Einstein e Copenhagen e nas promovidas pela Estação Ciência da USP. Além disso, cada vez mais, recursos científicos estão sendo usados em exposições, permitindo uma maior interação entre a obra e o público.

Agora que já sabemos que arte tem espaço sim nesse blog, quero fazer uma outra relação. Dessa vez, entre arte e deficiência. No documentário ‘Arte na Deficiência: O pior cego é o que não quer ver’ observamos que a arte não exclui ninguém. E, mais que isso, ela pode ser usada para promover inclusão e mudar vidas.

Produzido por alunos da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o documentário aborda o potencial de atividades artísticas como instrumentos para melhorar a vida de pessoas com algum tipo de deficiência. O foco do filme é Grupo de Teatro Gente, formado por atores cegos ou de baixa visão, do Instituto Benjamin Constant. A partir do contato com esse grupo surgiram três personagens fascinantes: Manuel dos Anjos, Lúcia Telles e Rose Queiroz, que deram verdadeiras lições de vida.

Ficha Técnica:

Direção, produção e entrevistas: Carolina Pessôa Câmeras: Layse Ventura e Wedis Martins Offs: Anatália Jacuru Roteiro e edição: Anatália Jacuru, Carolina Pessôa, Layse Ventura e Wedis Martins

Assista em http://www.youtube.com/watch?v=4tj87dHQ_B4