8 de maio de 2011
Um trator que também é caminhão
20 de abril de 2011
Lixo humano (não lixo do humano)
No post do dia 20 de março eu falei sobre o lixo que produzimos. Aquele que sai das nossas casa todo os dias, o que sobra do estilo de vida que temos. Mas essa frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman não fala desse lixo. O pensador fala sobre o lixo humano, sobre o grupo de pessoas não incluídas nos arranjos da sociedade.
Zygmunt Bauman, fevereiro de 2005, em Varsóvia
Segunda ele, imigrantes, pessoas em busca de asilo e refugiados, são apenas a parcela mais visível deste grupo de seres humanos redundantes, tão dispensáveis quanto uma garrafa de plástico vazia e não retornável.
São pessoas desvinculadas do trabalho, da família, das relações sociais que são tratadas como dejetos e irrelevantes no que diz respeito às tomadas de decisão e deliberação de políticas públicas. “Removemos os desejos de maneira mais radical e afetiva: tornado-os invisíveis, por não olhá-los, e inimagináveis, por não pensarmos neles”, diz Bauman.
A responsável por isso? A globalização. Bauman a caracteriza como excludente, traiçoeira e eliminadora, que causa morte, fome, desemprego e caos para milhões de seres humanos.
Eu vejo a globalização como um impulsionador do egoísmo e do individualismo. É isso que faz com que seres humanos sejam tratados dessa maneira. Sejam vistos como sujeira. Sujeira, que não é jogada para debaixo do tapete, mas, como diz o sociólogo, para longe dos grandes centros urbanos. E que são colocados em grandes depósitos em terras inabitadas, sem qualquer tipo de organização, de política de reciclagem.
Isso nos faz ver que a mudança pela qual o mundo está passando não pode ser chamada de evolução. Não creio que haja evolução enquanto o sucesso, o conforto e a felicidade de uns, corresponda a marginalização de outros. E esses outros, são muitos. Bauman lembra que os humilhados e excluídos do sistema correspondem à maioria dos seres humanos existente na terra.
Livro: Zygmunt Bauman. Vidas desperdiçadas. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro; 1ª edição, 2005.
Veja a resenha que o cientista social Antonio Marcos de Souza Silva escreveu sobre o livo!
9 de abril de 2011
Raios de sol destroem o asfalto
Mas manter essas estradas em boas condições de uso é um desafio constante. Além da dimensão, as características geográficas e climáticas brasileiras dificultam esse trabalho.
Visto isso, um projeto conduzido por Vanessa Lins, professora do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Minas Gerais e por sua aluna de doutorado, a engenheira civil do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Maria de Fátima Amazonas, mostra como é relevante o impacto dos raios solares na deterioração do asfalto.
Segundo Vanessa, avaliar esse fator é muito importante, principalmente em locais como o Brasil, com forte exposição ao sol durante a maior parte do ano, aliada a altas temperaturas e umidade relativa do ar.
A partir de testes acelerados de simulação da degradação, o estudo pretende compreender melhor o processo de deterioração do pavimento durante sua vida útil, buscando o aprimoramento da qualidade dos elementos utilizados na sua composição e a aplicação mais adequada a cada região do país.
Vanessa explica que a radiação solar está mais associada ao desgaste na superfície das rodovias. Mas ela lembra que o peso excessivo das cargas transportadas, muito comum nas nossas rodovias, ocasiona fadiga nas camadas internas, e que isso é uma das principais causas para o aparecimento de trincas bem antes do prazo de dez anos (vida útil mínima do asfalto)
"Esses dois fatores contribuem para que as estradas tornem-se precárias, o que eleva os custos de manutenção, restauração e, principalmente, traz riscos quanto à segurança”, disse para a revista Minas Faz Ciência de agosto de 2010.
A oxidação é uma das principais causas do envelhecimento dos pavimentos e provoca, entre outros efeitos, o aumento da sua viscosidade ou consistência. Um estudo francês mostrou que com apenas dez horas de exposição à radiação solar, o ligante asfáltico – material aglutinante usado nos revestimentos – atinge níveis de oxidação similares àqueles alcançados após um ano em serviço.
O projeto das pesquisadoras mineiras é feito dentro de uma câmara com radiação de xenônio – cujo espectro é muito similar ao da radiação solar – reproduzindo os efeitos da degradação do asfalto causados pela luz solar.
Nela, Cimento Asfáltico de petróleo (CAP) e um ligante francês foram expostos a ciclos alternados de luz e umidade, em temperaturas elevadas e controladas. De acordo com Maria de Fátima, a câmara de intemperismo é capaz de reproduzir de maneira acelerada a degradação das superfícies expostas, uma vez que no ambiente natural os objetos estão sujeitos à luz solar por apenas algumas horas, com condições mais severas no verão, enquanto a ação do aparelho permite a exposição 24 horas por dia.
Os testes na câmera permitirão também que sejam compararados o desempenho de diferentes ligantes utilizados no país. O objetivo é identificar aqueles mais resistentes. “Queremos encontrar um material que seja elástico o suficiente para suportar tráfego intenso, visando à durabilidade, de acordo com as características do nosso território. E, ao testar materiais de distintos fabricantes, será possível sugerir aqueles que sejam mais adequados ao projeto de cada rodovia, quanto ao tráfego e características climáticas”, explicou Maria de Fátima.
Fonte: revista “Minas Faz Ciência”, edição 42
20 de março de 2011
Responsabilidade compartilhada no manejo do lixo
1- frutos da decomposição da matéria orgânica, o lixo libera gás carbônico e metano para a atmosfera, solo e lençóis freáticos;
2- traz doenças como leptospirose, leishmaniose, cólera e desinteria;
3- ajuda na proliferação de vetores como moscas, ratos, baratos, pulgas e mosquitos;
4- polui os mananciais com o chorume (líquido escuro que escorre do lixo);
Antigo lixão Marambaia (Nova Iguaçu/RJ). Foto: Sérgio Eduardo de Oliveira
Para que esses problemas sejam evitados, os aterros sanitários são os locais mais adequados para o despejo dos resíduos sólidos. Eles são preparados com nivelamento de terra e selamento da base com mantas de PVC, impedindo que o ambiente seja contaminado.
Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, é um bom exemplo de como as coisas deveriam ser. Lá, o antigo lixão Marambaia deu lugar a Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Nova Iguaçu S. A..
O espaço é composto de aterro sanitário e industrial que permite o confinamento seguro do lixo, garantindo controle da poluição ambiental e proteção da saúde pública, uma unidade de tratamento do chorume e aproveitamento energético do biogás, uma unidade de britagem de entulho e uma unidade de gerenciamento de resíduos industriais que inclui um laboratório. Além disso, conta com um centro de educação ambiental e viveiro de mudas de Mata Atlântica.
Esquema de funcionamento da CTR Nova Iguaçu.
Embora a PNSB mostre que lugares assim são ainda muito poucos no país, as coisas estão começando a mudar. Segundo Débora, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, e regulamentada pelo ex presidente Lula, por decreto, em 23 de dezembro de 2010, é uma marco nessa questão. A lei visa melhorar a gestão do lixo a partir de divisão de responsabilidade entre a sociedade, poder público e iniciativa privada.
Alguns exemplos da partilha de tarefas: Ao poder público cabe apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de tecnologias apropriadas, por exemplo); às empresas, o recolhimento dos produtos após o uso; e, à sociedade, participar dos programas de coleta seletiva (condicionando adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos) e reduzir o consumo.
Débora particularmente acha importante a logística reversa da nova medida, em que o fabricante do resíduo sólido é também responsável pelo seu descarte (fato que esbarra em interesses comerciais).
Cabe aos geradores, ainda, garantir segurança dos processos produtivos, manter informações atualizadas, permitir a fiscalização, recuperar áreas degradadas e contaminadas sob sua responsabilidade e desenvolver programas de capacitação continuada.
Entre outras determinações, a lei obrigada também a substituição de lixões por aterros, até 2015, proíbe a importação de resíduos (ver post de 2/11/2010) e formaliza o trabalho de catadores de lixo, que chega a mais de um milhão, segundo o PNSB 2008.
Fonte: revista Radis de fevereiro de 2011
25 de fevereiro de 2011
Cachaça boa, é cachaça velha
Quem explica isso são pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no estudo "Efeito do envelhecimento na qualidade da cachaça produzida por pequenos produtores”, publicado em 2010 na revista Ciência e extensão. Segundo eles, as técnicas de envelhecimento trazem melhor sabor e aroma à bebida.
Os pesquisadores explicam que o processo de envelhecimento ou maturação consiste basicamente em armazenar a bebida destilada em barris de madeira por um tempo determinado (12 meses, no mínimo) e em condições adequadas (barris com capacidade entre 200 e 700 litros).
Barris de carvalho - lugar onde a cachaça sofre o processo de envelhecimento Foto: copo de cachaça (Flickr.com)
Essa ação traz mais qualidade à bebida já que a cachaça recém-destilada, além de não apresentar cor, possui sabor picante, áspero e seco, por melhor que tenha sido realizado o processo de produção em todas as suas etapas (fermentação e destilação). “O processo de envelhecimento produz mudanças na composição química, no aroma, na cor e é responsável pala diminuição do sabor alcoólico e agressividade da bebida, com simultâneo aumento da doçura e sabor de madeira, tornando-a sensorialmente mais agradável”, destacam.
Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)






