29 de agosto de 2011

Mandioca

É muito fácil se encantar com uma árvore alta, cheia de folhas, flores bonitas e frutos gostosos. Todas, claro, merecem nossa admiração. Mas acho que nenhuma delas tem a importância que a mandioca tem. Ela é uma árvore pequena, que fica ali escondida, enterrada embaixo da terra, mas que ajudou a matar a fome de um país inteiro. 



Com o nome científico de Manihot esculenta Crantz, a mandioca é uma planta perene, arbustiva, pertencente a família das Euforbiáceas. A parte mais importante é a raiz,fonte de alimento enérgico de milhares de brasileiros. Aliás, o cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos não só aqui no país, mais no mundo, essencialmente nos países em desenvolvimento.

A mandioca pode ser consumida cozida, frita, em forma de farinha e tapioca. Tem também tem o Polvilho, o Tacacá e a Maniçoba, alimentos típicos da Amazônia. A partir dela, se faz também um molho chamado Tucupi, no Pará; a cachaça, chamada de Tiquira, no maranhão; o vinho, Cauin, dos índios; cerveja e muitos outros produtos.

A demanda do amido de mandioca (fécula) tem crescido de forma substancial na indústria, que a utiliza na mistura de farinha de trigo para fabricação de pães, objetivando reduzir as importações de trigo, gerando divisas para o país. 

A fécula e seus produtos derivados têm competitividade crescente no mercado de produtos amiláceos (derivados de cereais e vegetais) para a alimentação humana, ou como insumos em diversos ramos industriais tais como o de alimentos embutidos, embalagens, colas, compensados de madeira, mineração, têxtil e farmacêutica. 

Na medicina popular, as folhas secas, tostadas e moídas fornecem um importante complemento alimentar, rico em vitamina A, ferro e cálcio. A farinha combate a diarreia, o chá da raiz é anti-inflamatório, calmante e favorece o sono, e o emplastro das raízes frescas trata feridas e chagas.

A mandioca é bem tolerante à seca e possui ampla adaptação às mais variadas condições de clima e solo, sendo cultivada em todos os estados brasileiros. O país possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca.

Mapa de ocorrência natural

A região Nordeste tradicionalmente caracteriza-se pelo sistema de policultivo, ou seja, mistura de mandioca com outras espécies alimentares de ciclo curto, principalmente feijão, milho e amendoim.

Originária do continente americano, provavelmente do Brasil, a mandioca já era cultivada pelos índios quando os portugueses chegaram aqui. Conhecida também como aipim, macaxeira, maniva e tantos outros nomes, ela é uma das heranças deixadas pelos índios, que mesmo sofrendo adaptações, esteve sempre presente na vida dos brasileiros.

Wedis Martins

6 de agosto de 2011

Um pouco sobre irrigação


A irrigação é uma tecnologia extremamente benéfica para a agricultura e para a sociedade, pois aumenta a produtividade, diminui os riscos inerentes à atividade e traz desenvolvimento para regiões vulneráveis. 


No mundo, 18% de toda a área agrícola são irrigadas. Aliás, esta área responde por 44% de toda a produção mundial, o que mostra a relevância desta prática.

No Brasil, a cultura que mais utiliza irrigação é a do arroz. A produtividade média do arroz irrigado é cerca de 70% superior ao arroz de sequeiro. Isso significa menor ocupação de terras agrícolas.
Mas como a água é um recurso que pode acabar, é fundamental adotar boas práticas de manejo na irrigação, a fim de aproveitá-la melhor.

Nesse sentido, algumas iniciativas podem ser destacadas, como o do Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz irrigado. Na década de 70, para cada hectare eram necessários 15 mil m3 de água para produzir 4 mil quilos de arroz.

Atualmente, se produz 7 mil quilos de arroz com apenas 8 mil m3 de água. Isto significa que, enquanto eram necessários quase 4 m3 de água para produzir cada quilo de arroz, hoje essa relação é próxima de 1.

Também vale destacar o crescimento no Brasil das áreas irrigadas com gotejamento e outras técnicas de baixo consumo de água. Tais tecnologias são bastante usadas em culturas de alto valor agregado como frutas, verduras e flores.

Na irrigação por gotejamento, a água é aplicada de forma pontual através de gotas no solo. Este sistema aplica água em apenas parte da área, reduzindo assim a superfície do solo que fica molhada, exposta às perdas por evaporação. Com isto, a eficiência de aplicação é bem maior e o consumo de água menor. Os emissores utilizados podem ser gotejadores ou microaspersores.

De acordo com o Relatório de Conjuntura da Agência Nacional de Águas, a irrigação da agricultura é responsável por 69% de toda água utilizada no território brasileiro, média próxima à mundial, que é de 70%. É importante destacar, porém, a diferença entre os tipos de uso das águas, que podem ser consuntivos ou não consuntivos.

  • Uso Consuntivo É quando, durante o uso, é retirada uma determinada quantidade de água dos manaciais e depois de utilizada, uma quantidade menor e/ou com qualidade inferior é devolvida, ou seja, parte da água retirada é consumida durante seu uso. Exemplos: abastecimento, irrigação, etc.

  • Uso Não Consuntivo É aquele uso em que é retirada uma parte de água dos mananciais e depois de utilizada, é devolvida a esses mananciais a mesma quantidade e com a mesma qualidade, ou ainda nos usos em que a água serve apenas como veículo para uma certa atividade, ou seja, a água não é consumida durante seu uso. Exemplos: pesca, navegação, etc.

Apesar do consumo de água para irrigação ser considerado consuntivo, em sua maioria a água usada na agricultura não é absorvida pelas plantas e sim penetra nos solos, atingindo rios e lençóis freáticos. Assim, essa água volta para o ciclo hidrológico praticamente com as mesmas características, a depender do manejo realizado na propriedade agrícola.

Wedis Martins

9 de julho de 2011

Trabalhar ao lado de impressoras laser pode ser tão perigoso quanto passar os dias ao lado de um fumante

Um estudo realizado na Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, mostra que a impressora do escritório pode ser tão prejudicial à saúde quanto a fumaça do cigarro.

A pesquisa indica que 30% das impressoras a laser emitem no ar partículas ultrafinas que são capazes de penetrar no pulmão e causar problemas a longo prazo, como acontece no caso dos fumantes passivos.

Segundo o estudo, os efeitos variam de acordo com a composição da partícula: elas vão de irritação respiratória a doenças mais severas, como problemas cardiovasculares.

Das 62 impressoras testadas, 17 foram classificadas como “grandes emissoras de partículas”. Os testes indicaram que a quantidade de partículas espalhadas pelo ar aumenta cinco vezes durante as horas de trabalho, devido ao uso de impressoras. Alem disso, o nível mais alto de emissão acontece quando o cartucho é novo e quando as imagens requerem maior quantidade de toner.

Um modo de evitar esse perigo é usar as máquinas em locais bem ventilados, para que as partículas possam se dispersar. Porém, os cientistas que conduziram o estudo vão mais além e fazem a seguinte pergunta: Se os governos controlam a emissão de fábricas e carros. Por que não fazer o mesmo com essas máquinas?

E já que eles comparam o perigo dessas partículas com as do cigarro, eu me permito questionar também porque os governos não impõe sanções para a emissão dessas partículas, como impõe para quem fuma? Uma ideia é proibir que as impressora fiquem localizadas em ambientes fechados.

3 de junho de 2011

Catalisador alternativo na produção de biodiesel

Um modelo de catalisador tecnologicamente mais limpo para a produção do biodisel promete ser uma iniciativa promissora para o desenvolvimento sustentável. A proposta é da pesquisadora da Uerj, Erica Vanessa Albuquerque de Oliveira.


Girassol - Existem muitas espécies vegetais no Brasil que podem ser usadas na produção do biodiesel, como o óleo de girassol, de amendoim, de mamona, de soja, entre outros. (Foto: Samurai - Flickr)

Atualmente, o meio mais utilizado nas indústrias para a produção do diesel é o processo de transesterificação, no qual os óleos ou as gorduras reagem com o metanol, em presença de um catalisador básico (hidróxido de sódio ou potássio), formando um alquil éster, nomeadamente o biodiesel.


Diagrama de produção de biodiesel
 
A pesquisa de Erica surgiu a partir das desvantagens desse processo: “o método convencional utiliza catalisadores homogêneos como hidróxidos de sódio e potássio ou ácido sulfúrico, mas há dificuldade na remoção destes catalisadores e é necessária grande quantidade de água para a lavagem do produto”, disse à Agenc, em abril.

Como alternativa para esta situação, ela defende o emprego de resinas de troca iônica no processo de transesterificação. "Essas resinas têm vantagens como: serem removidas do meio reacional por filtração simples, poderem ser recuperadas e reutilizadas, diminuírem o número de lavagens do produto e cooperarem na obtenção de uma glicerina pura ao final do processo, com aspecto límpido e incolor", explicou.

O que é o biodisel?
Combustível renovável derivado de óleos vegetais, como girassol, mamona, soja, babaçu e demais oleaginosas, ou de gorduras animais, usado em motores a diesel, em qualquer concentração de mistura com o diesel. Produzido através de um processo químico que remove a glicerina do óleo. 

Fonte: Agência Uerj de Notícias (Agenc) e www.biodieselbr.com