23 de setembro de 2011

Reúso da água do esgoto

O prefeito da cidade de Niterói (RJ) sancionou recentemente uma lei muito boa. Trata-se da lei nº 2856 que dispõe sobre a reutilização de águas cinzas (da pia, chuveiro, tanque e máquina de lavar) para fins não-nobres, como descarga sanitária, lavagem de pisos e rega de jardim. A medida é obrigatória para edifícios com mais de 500 metros quadrados.



Normalmente, toda essa água cinza é misturada na rede de esgoto. Com a lei, ela passa a ser reservada em um tanque separado, onde será tratada com cloro, para desinfecção, e com sulfato de alumínio, que realiza um processo chamado floculação (onde as impurezas se aglutinam formando flocos para serem facilmente removidos). 


Desse tanque, a água sai (em gravidade, ou seja, sem uso de energia elétrica) para cilindros que farão a filtração. A partir daí, ela está pronta para ser redistribuída para todo o prédio, indo diretamente para a descarga do vaso sanitário e para torneiras que ficam em áreas comuns do condomínio. Assim, quando alguém for regar as plantas ou lavar pisos e janelas, por exemplo, vai com o balde lá na torneira e o enche com água de reuso, invés de encher com água potável.

Todo esse processo é silencioso sem mau cheiro. Além disso, sua aplicação traz vantagens econômicas. Um prédio com 84 apartamentos, por exemplo, gastará cerca de 100 mil reais com a implementação de toda a infaestrutura do sistema. Mas o retorno financeiro desse investimento é obtido em poucos meses, com a economia nas contas de água (uma das maiores despesas nos condomínios).

Mas a grande vantagem da água de reúso é com certeza para o meio ambiente. Primeiro, ao reutilizar as águas cinzas, deixamos de gastar água potavel (recurso cada dia mais escasso). Segundo, essa água cinza deixa de ir para estações de tratamento de esgoto, ajudando a não sobrecarregá-las. Além disso, deixa de ir para o meio ambiente (no caso de Niterói, para a Baía de Guanabara).


Torço para que essa idéia pegue. Para que as novas construções cumpram a lei e instalem o sistema de reúso das águas. No entanto, o mais importante é que as pessoas que contam esse sistema onde moram, façam uso dele. Quando forem lavar o piso da sua casa, lavem usando a torneira de água de reuso. Uma cidade de meio milhão de habitantes como Niterói, que não produz a água que consome, agradece. Todo o mundo agradece.

Wedis Martins 

29 de agosto de 2011

Mandioca

É muito fácil se encantar com uma árvore alta, cheia de folhas, flores bonitas e frutos gostosos. Todas, claro, merecem nossa admiração. Mas acho que nenhuma delas tem a importância que a mandioca tem. Ela é uma árvore pequena, que fica ali escondida, enterrada embaixo da terra, mas que ajudou a matar a fome de um país inteiro. 



Com o nome científico de Manihot esculenta Crantz, a mandioca é uma planta perene, arbustiva, pertencente a família das Euforbiáceas. A parte mais importante é a raiz,fonte de alimento enérgico de milhares de brasileiros. Aliás, o cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos não só aqui no país, mais no mundo, essencialmente nos países em desenvolvimento.

A mandioca pode ser consumida cozida, frita, em forma de farinha e tapioca. Tem também tem o Polvilho, o Tacacá e a Maniçoba, alimentos típicos da Amazônia. A partir dela, se faz também um molho chamado Tucupi, no Pará; a cachaça, chamada de Tiquira, no maranhão; o vinho, Cauin, dos índios; cerveja e muitos outros produtos.

A demanda do amido de mandioca (fécula) tem crescido de forma substancial na indústria, que a utiliza na mistura de farinha de trigo para fabricação de pães, objetivando reduzir as importações de trigo, gerando divisas para o país. 

A fécula e seus produtos derivados têm competitividade crescente no mercado de produtos amiláceos (derivados de cereais e vegetais) para a alimentação humana, ou como insumos em diversos ramos industriais tais como o de alimentos embutidos, embalagens, colas, compensados de madeira, mineração, têxtil e farmacêutica. 

Na medicina popular, as folhas secas, tostadas e moídas fornecem um importante complemento alimentar, rico em vitamina A, ferro e cálcio. A farinha combate a diarreia, o chá da raiz é anti-inflamatório, calmante e favorece o sono, e o emplastro das raízes frescas trata feridas e chagas.

A mandioca é bem tolerante à seca e possui ampla adaptação às mais variadas condições de clima e solo, sendo cultivada em todos os estados brasileiros. O país possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca.

Mapa de ocorrência natural

A região Nordeste tradicionalmente caracteriza-se pelo sistema de policultivo, ou seja, mistura de mandioca com outras espécies alimentares de ciclo curto, principalmente feijão, milho e amendoim.

Originária do continente americano, provavelmente do Brasil, a mandioca já era cultivada pelos índios quando os portugueses chegaram aqui. Conhecida também como aipim, macaxeira, maniva e tantos outros nomes, ela é uma das heranças deixadas pelos índios, que mesmo sofrendo adaptações, esteve sempre presente na vida dos brasileiros.

Wedis Martins

6 de agosto de 2011

Um pouco sobre irrigação


A irrigação é uma tecnologia extremamente benéfica para a agricultura e para a sociedade, pois aumenta a produtividade, diminui os riscos inerentes à atividade e traz desenvolvimento para regiões vulneráveis. 


No mundo, 18% de toda a área agrícola são irrigadas. Aliás, esta área responde por 44% de toda a produção mundial, o que mostra a relevância desta prática.

No Brasil, a cultura que mais utiliza irrigação é a do arroz. A produtividade média do arroz irrigado é cerca de 70% superior ao arroz de sequeiro. Isso significa menor ocupação de terras agrícolas.
Mas como a água é um recurso que pode acabar, é fundamental adotar boas práticas de manejo na irrigação, a fim de aproveitá-la melhor.

Nesse sentido, algumas iniciativas podem ser destacadas, como o do Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz irrigado. Na década de 70, para cada hectare eram necessários 15 mil m3 de água para produzir 4 mil quilos de arroz.

Atualmente, se produz 7 mil quilos de arroz com apenas 8 mil m3 de água. Isto significa que, enquanto eram necessários quase 4 m3 de água para produzir cada quilo de arroz, hoje essa relação é próxima de 1.

Também vale destacar o crescimento no Brasil das áreas irrigadas com gotejamento e outras técnicas de baixo consumo de água. Tais tecnologias são bastante usadas em culturas de alto valor agregado como frutas, verduras e flores.

Na irrigação por gotejamento, a água é aplicada de forma pontual através de gotas no solo. Este sistema aplica água em apenas parte da área, reduzindo assim a superfície do solo que fica molhada, exposta às perdas por evaporação. Com isto, a eficiência de aplicação é bem maior e o consumo de água menor. Os emissores utilizados podem ser gotejadores ou microaspersores.

De acordo com o Relatório de Conjuntura da Agência Nacional de Águas, a irrigação da agricultura é responsável por 69% de toda água utilizada no território brasileiro, média próxima à mundial, que é de 70%. É importante destacar, porém, a diferença entre os tipos de uso das águas, que podem ser consuntivos ou não consuntivos.

  • Uso Consuntivo É quando, durante o uso, é retirada uma determinada quantidade de água dos manaciais e depois de utilizada, uma quantidade menor e/ou com qualidade inferior é devolvida, ou seja, parte da água retirada é consumida durante seu uso. Exemplos: abastecimento, irrigação, etc.

  • Uso Não Consuntivo É aquele uso em que é retirada uma parte de água dos mananciais e depois de utilizada, é devolvida a esses mananciais a mesma quantidade e com a mesma qualidade, ou ainda nos usos em que a água serve apenas como veículo para uma certa atividade, ou seja, a água não é consumida durante seu uso. Exemplos: pesca, navegação, etc.

Apesar do consumo de água para irrigação ser considerado consuntivo, em sua maioria a água usada na agricultura não é absorvida pelas plantas e sim penetra nos solos, atingindo rios e lençóis freáticos. Assim, essa água volta para o ciclo hidrológico praticamente com as mesmas características, a depender do manejo realizado na propriedade agrícola.

Wedis Martins

9 de julho de 2011

Trabalhar ao lado de impressoras laser pode ser tão perigoso quanto passar os dias ao lado de um fumante

Um estudo realizado na Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, mostra que a impressora do escritório pode ser tão prejudicial à saúde quanto a fumaça do cigarro.

A pesquisa indica que 30% das impressoras a laser emitem no ar partículas ultrafinas que são capazes de penetrar no pulmão e causar problemas a longo prazo, como acontece no caso dos fumantes passivos.

Segundo o estudo, os efeitos variam de acordo com a composição da partícula: elas vão de irritação respiratória a doenças mais severas, como problemas cardiovasculares.

Das 62 impressoras testadas, 17 foram classificadas como “grandes emissoras de partículas”. Os testes indicaram que a quantidade de partículas espalhadas pelo ar aumenta cinco vezes durante as horas de trabalho, devido ao uso de impressoras. Alem disso, o nível mais alto de emissão acontece quando o cartucho é novo e quando as imagens requerem maior quantidade de toner.

Um modo de evitar esse perigo é usar as máquinas em locais bem ventilados, para que as partículas possam se dispersar. Porém, os cientistas que conduziram o estudo vão mais além e fazem a seguinte pergunta: Se os governos controlam a emissão de fábricas e carros. Por que não fazer o mesmo com essas máquinas?

E já que eles comparam o perigo dessas partículas com as do cigarro, eu me permito questionar também porque os governos não impõe sanções para a emissão dessas partículas, como impõe para quem fuma? Uma ideia é proibir que as impressora fiquem localizadas em ambientes fechados.