25 de junho de 2012

Agricultura na Rio+20


Durante a Rio+20 vários painéis discutiram a contribuição da agricultura para as mudanças climáticas. Em um deles, especialistas  debateram o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), que sugere medidas que podem ser adotadas na agricultura para mitigar emissões de gases de efeito estufo – CO2, CH4 e N2O – e promover a retenção do carbono na biomassa e no solo.


De acordo com Erikson Chandoha, representante do Ministério de Agricultura, é possível aumentar a produção agrícola sem comprometer o planeta, desde que medidas preventivas como as do Plano ABC sejam adotadas. Para demonstrar a necessidade de mudanças, Karen Suassuna revelou que o desmatamento no Cerrado – principal região do cultivo da soja – é mais severo que na Amazônia, que possui 82% da vegetação original enquanto o Cerrado 52%.

 


Algumas ações que estruturam o ABC são: recuperação de pastagens degradas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas, tratamento de dejetos e adaptação as mudanças climáticas.

Todas essas medidas têm como principal objetivo mitigar a emissão dos gases do efeito estufa na agricultura. Há ainda outros objetivos complementares como, melhorar o sistema produtivo do sistema rural, incentivar a adoção do sistema de produção sustentável, reduzir o desmatamento causado pela agropecuária e outros.

De acordo com Luiz Adriano Maia Cordeiro, da Embrapa, o governo já realizou medidas entre 2010 e 2012 para promover o Plano ABC. Alguns exemplos são: linha de crédito agrícola para adoção das tecnologias do ABC, campanha publicitária na televisão, grupos gestores estaduais, oficina de trabalho, capacitação de técnicos e materiais didáticos, além do uso do biogás pela agricultura familiar, que gera renda e preserva o ambiente, através do tratamento dos dejetos animais para a sua produção. Segundo ele, a expectativa de resultados com a geração de energia através do biogás, até 2020, é de 18 milhões de reais.

Mais informações sobre o Plano ABC


Wedis Martins

Fonte: Agência Notisa

19 de junho de 2012

Seleção, classificação e embalagem de frutas e hortaliças

O alto índice de perdas pós-colheita impede que muitas hortaliças e frutas produzidas e que saem do campo cheguem ao consumidor final. Embalagens adequadas para a comercialização podem contribuir para reduzir essas perdas. Procedimetos de seleção e classificação também ajudam, explica o pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marcos José de Oliveira Fonseca.

Marcos conta que a implantação dos procedimentos adequados na propriedade ou no empreendimento gera benefícios como, por exemplo, uma remuneração justa pelo produto por ser bem cultivado e colhido, chegando ao consumidor com melhor qualidade. Também serão reduzidos os níveis de perdas com o consequente aumento de oferta e a redução do desperdício.

A recomendação é implantar um processo de seleção dos produtos, no qual estes são qualificados para seguir para sua destinação principal, com exclusão daqueles que não possuem as características determinadas para o produto padrão.

A seguir, frutas e hortaliças devem ser submetidas à classificação, que é a separação dos mesmos em lotes homogêneos segundo o tamanho, a forma, a coloração e o ponto de maturação. Estes lotes homogêneos podem, enfim, ser embalados em caixas que deverão cumprir duas funções principais: proteger o produto e facilitar o deslocamento das cargas.

Grande parte da produção nacional de frutas e hortaliças são embaladas em caixas de madeira, que não cumprem as duas funções mencionadas. As caixas de papelão (não retornável) e de plástico (retornável) cumprem as duas funções, possuindo características bastante distintas, com vantagens e desvantagens entre si.

A viabilidade de aplicação dos processos depende da rentabilidade da cultura, do nível tecnológico do sistema de produção e da logística de comercialização. Outra forma complementar de viabilização do processo de seleção, classificação e embalagem dos produtos é o associativismo, que permite a redução de custos e o aumento de escala da produção.

Wedis Martins
Fonte: Prosa Rural


1 de junho de 2012

XXI Encontro Nacional de Geografia Agrária


Entre os dias 15 e 19 de Outubro de 2012 acontecerá a XXI edição do Encontro Nacional de Geografia Agrária, que terá como tema: “Territórios em Disputa: os desafios da Geografia Agrária nas contradições do desenvolvimento brasileiro”.
 
Esse ano o evento será realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG), promovido pelo LAGEA (Laboratório de Geografia Agrária da UFU) e LAHEN (Laboratório de Geografia Humana e Ensino da mesma instituição).

A proposta é trazer para reflexão e debate temas atuais sobre o campo brasileiro, discutindo as perspectivas teórico-metodológicas da Geografia Agrária; as políticas públicas de desenvolvimento territorial rural e combate à pobreza; a Reforma Agrária, assentamentos rurais e conflitos no campo; o agronegócio e a questão da produção de agrocombustíveis; as concepções e práticas de educação do campo; as relações campo-cidade e das mudanças na agricultura a partir do novo Código Florestal brasileiro, dentro outros.

 

Wedis Martins

31 de maio de 2012

Livro sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo


Desmatamento e degradação florestal representam uma fração significativa das emissões anuais de gases de efeito estufas induzidos por ação humana na atmosfera, a maior fonte de perdas na biodiversidade e a destruição de milhões de lares familiares. Apesar das causas serem locais/regionais, suas consequências são globais.

O livro Desmatamento ao redor do mundo, editado por Paulo Moutinho, biólogo e mestre e doutor em ecologia, diretor Executivo do IPAM, fornece uma visão geral sobre a dinâmica do desmatamento ao redor do mundo, incorporando análises às suas causas, impactos e ações de prevenção.

Seus 17 capítulos, organizados em três seções, discutem o impacto do desmatamento no clima, solo, biodiversidade e população humana. Iniciativas para prevenção também são discutidas. Uma ênfase especial é dada ás diferentes técnicas de sensoriamento remoto e mapeamento que poderiam ser usadas como fonte para tomadores de decisão e para a sociedade para promover a conservação florestal e controlar o desmatamento.


Faça o download da publicação (em inglês) gratuitamente: www.intechopen.com/books/deforestation-around-the-world

Fonte:IPAM

23 de maio de 2012

Agricultura e educação

A agricultura faz parte da história do Brasil desde o seu início. Não importa o momento histórico, nós sempre contamos com esta atividade como importante pilar da nossa economia. Culturas como a do açúcar, do café e da laranja, são alguns exemplos.


Mas para que a agricultura possa cumprir sua missão, é preciso profissionais bem preparados. O desenvolvimento da agricultura e suas cadeias agroindustriais, cada vez mais complexas e baseadas em tecnologias, requerem um grande número de pessoas qualificadas, para atuar tanto no campo, como na pesquisa. Por exemplo, as atividades exercidas por trabalhadores rurais - que antes eram exercidas por pessoal tipicamente não especializado - hoje em muitos casos exigem treinamento e formação específica.

Isso porque tais atividades incluem o uso e manutenção de maquinário sofisticado – uma colheitadeira das mais modernas pode custar até 500 mil reais – e, assim, é preciso pessoas qualificadas para operá-lo. A migração da colheita de cana-de-açúcar manual para a mecanizada, com suporte para recolocação profissional dos cortadores, é um bom exemplo.

Os funcionários das fazendas ou prestadores de serviço precisam gerenciar compra de insumos e venda do produto, manejar os recursos naturais (água, solo, vegetação nativa), assegurar infraestrutura e condições de trabalho seguindo as exigências do Ministério do Trabalho, mapear a propriedade de forma georreferenciada, executar processos de seleção e qualidade pós-colheita. A lista das capacidades que o novo mercado agro exige é realmente enorme e depende muito do tipo de produto cultivado e da escala da produção.

As cadeias agroindustriais também estão mais sofisticadas e por isso exigentes de profissionais altamente capacitados. Isso inclui as diversas indústrias produtoras de insumos, os processadores e transportadores, e toda uma gama de serviços – bancos, seguradoras, corretoras, tecnologia da informação, comunicação e marketing. Trabalham no setor agro, então, engenheiros dos mais diversos tipos, administradores, economistas, biólogos, geógrafos, gestores ambientais e jornalistas.

O perfil do moderno agricultor brasileiro é muito diferente do que a população urbana imagina. E tudo indica que cada vez mais teremos agricultores capacitados e com características empreendedoras. A idade média do agricultor no Brasil é 42 anos, enquanto nos Estados Unidos são 60 e na Europa 70 anos. Diferentemente de várias partes do mundo, a agricultura brasileira atrai os jovens, dado o dinamismo do setor e as incríveis oportunidades e perspectivas que se apresentam para esse setor.

Entretanto, não falta também espaço para mão de obra não qualificada, que, infelizmente, o país tem de sobra, como trabalhadores rurais. São homens e mulheres que trabalham em atividades de plantio, colheita e tratos culturais no campo, que podem requerer mais ou menos especialização.

Educação:

Apesar da crescente qualificação da mão de obra agrícola, ainda há muito por fazer, dado que persiste uma diferença significativa de nível educacional entre trabalhadores rurais e não rurais, e entre a população rural e a urbana em geral. A boa noticia é que o crescimento dos anos de estudo tem sido mais acentuado nos trabalhadores rurais (e também entre os outros tipos de trabalhadores nas empresas agro) do que nos demais setores. Além do crescimento da educação básica, o ensino superior também tem avançado consideravelmente na agricultura.

São diversas as formações superiores disponíveis para capacitar jovens a entrar no mercado de trabalho agro. Além do tradicional curso de agronomia, existem muitos outros cursos superiores desenhados para atender esse mercado, como administração rural e de agroindústria, diversos cursos de processamento de alimentos (como ciência de laticínios e tecnologia em açúcar e álcool), zootecnia, e engenharia de pesca. Em 2001, eram 363 cursos diretamente ligados ao agro e em 2009, esse numero chegou a 962. Foram quase 600 novos cursos, o que representa aumento de 265%, acompanhando a tendência de forte crescimento do ensino superior no país na última década.

Em termos de número de estudantes matriculados, mais de 150 mil pessoas estão buscando formação na área agrícola, o que representa 3% do total de matrículas do Brasil. Em 2009, pouco mais de 22 mil alunos concluíram o ensino superior em áreas agro e foram prontamente absorvidos pelo mercado. O aumento nas matrículas e cursos agro é maior no Centro Oeste e Nordeste, dado a relativa falta de universidades e faculdades somado ao fato de serem áreas de fronteira agrícola.

Wedis Martins 

Fonte: http://www.redeagro.org.br/
Foto: Mataparda (Flickr)