12 de setembro de 2012

Novo meio de combate à mosca-das-frutas na cultura do pêssego


Produtores de pêssego de Pelotas estão fazendo uso de um novo sistema para auxiliar no manejo da mosca-das-frutas. Como os inseticidas fosforados com ação de profundidade foram proibidos e não são mais recomendados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o pêssego, pela possibilidade de causarem danos neuro-tóxicos em humanos, essa é uma importante arma no combate contra a praga.


De acordo com o pesquisador Dori Edson Nava, da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS), armadilhas (equipamento usado para monitorar a presença dos insetos) são vistoriadas semanalmente entre a segunda e a quarta-feira. Na quinta-feira, pesquisadores e técnicos se reúnem e emitem boletins sobre a presença da praga e a severidade do problema, para que o agricultor possa, a partir da sexta-feira, realizar os tratos culturais.

Índices de presença da mosca em cada região são relacionados a dados meteorológicos, principalmente chuva e temperatura, para formar o panorama da situação e guiar os passos a serem tomados. Embrapa, Emater/RS e Universidade Federal de Pelotas, responsáveis pelo sistema de alerta, repassam as informações sobre a situação da semana através de contatos diretos com os agricultores e por meio de jornais, rádios, tv´s e internet. Assim, o produtor poderá saber qual é a real e atual posição sobre a possível infestação e se armar para combater a mosca. Além disso, são fornecidas orientações, com base nos dados coletados, sobre quais tratos deverão ser adotados nos pomares por meio de boletins.

Dori conta que a arma mais indicada no combate contra a mosca é o monitoramento da praga aliado ao uso da isca tóxica. Esta consiste em aplicar, em partes do pomar, uma substância à base de proteína que servirá de atrativo alimentar ao mesmo tempo em que, carregada com um agrotóxico, matará o inseto. Como o produto atrai a mosca, não é preciso fazer a aplicação em todo o pomar, como ocorre na aplicação por cobertura – quando o inseticida é aplicado sobre toda a área de cultivo.

Fonte: Prosa Rural

28 de agosto de 2012

Com boa gestão, produção orgânica pode igualar produção convencional


Vários estudos enfatizam a necessidade de mudanças na produção mundial de alimentos. Segundo as pesquisas, a agricultura deve atender ao duplo desafio de alimentar uma população que não para de crescer e, simultaneamente, minimizar o seu impacto ambiental.

Um estudo publicado na revista Nature mostra que a agricultura orgânica, sistema destinado a produção de alimentos com o mínimo de danos aos ecossistemas, animais ou seres humanos, é frequentemente proposto como uma solução. No entanto, críticos argumentam que tal sistema pode ter rendimentos mais baixos e, portanto, precisa de mais terra para produzir a mesma quantidade de alimentos que fazendas convencionais, resultando num maior desmatamento e perda de biodiversidade.


Através de uma meta-análise, os pesquisadores, Verena Seufert, Navin Ramankutty e Jonathan A. Foley, examinaram o desempenho relativo de rendimentos de sistemas de cultivo orgânico e convencional no mundo. Segundo eles, a análise dos dados mostra que, globalmente, os rendimentos orgânicos são tipicamente mais baixos do que os rendimentos convencionais. Mas estas diferenças de rendimento são altamente contextual, dependendo do sistema e características do local.

Eles concluem que, sob certas condições, isto é, com boas práticas de gestão, tipos de culturas particulares e condições de crescimento, sistemas orgânicos podem quase igualar a produção convencional. “Para estabelecer a agricultura orgânica como uma importante ferramenta na produção sustentável de alimentos, os fatores limitantes de rendimentos orgânicos precisam ser melhor compreendidos, ao lado de avaliações dos muitos benefícios sociais, ambientais e econômicos de sistemas de cultivo orgânico”, dizem no estudo.

Fonte: estudo “Comparing the yields of organic and conventional agriculture” – Nature 485, 229–232 (10 May 2012)

Foto: Agriculturasp (Flickr)

16 de agosto de 2012

Equivalência substancial

É cada vez maior a necessidade de procedimentos de avaliação da segurança alimentar de alimentos derivados de organismos geneticamente modificados (OGMs). Nesse post, irei falar sobre um dos critérios utilizados para essa avaliação, a equivalência substancial (ES).

Estabelecer a ES é uma maneira de se comparar as características do alimento derivado de OGM, ou alimento oriundo de quaisquer outros recentes avanços da biotecnologia, com seu análogo convencional. ES engloba o conceito de que, se um alimento ou ingrediente alimentar derivado dos recentes avanços em biotecnologia for considerado substancialmente equivalente a um alimento ou ingrediente alimentar convencional, aquele alimento poderá ser considerado tão seguro quanto esse.

Para se estabelecer a ES, os alimentos derivados dos recentes avanços em biotecnologia (ex: nutracêuticos, OGMs, bioingredientes obtidos por fermentação e tratamentos enzimáticos) devem ser comparados com as espécies ou com os alimentos derivados destas espécies os mais próximos possíveis.

A escolha adequada de um alimento-referência para se estabelecer a ES em termos de composição depende de alguns fatores. É mais apropriado se comparar matérias-primas não processadas. Entretanto, se o alimento só for consumido uma vez processado (ex: óleo refinado de soja, farelo de soja), a comparação pode ser realizada entre o alimento derivado de OGM e o alimento convencional processado da mesma maneira.

No que se refere a plantas geneticamente modificadas (PGMs), o estabelecimento da ES engloba: (I) avaliação em nível molecular da fonte alimentícia geneticamente modificada; (II) comparação das características fenotípicas da PGM com uma planta convencional; e (III) comparação analítica entre a composição da PGM e seus derivados e a composição de análogos convencionais.

O plantio das PGM deve ser realizado nas mesmas condições de plantio de plantas convencionais. Animais GM devem ser alimentados, manejados e transportados da mesma maneira que os animais convencionais. Alimentos derivados de OGMs (microorganismos GM, PGM, e animais GM) devem ser processados nas mesmas condições que os alimentos derivados de organismos convencionais. No caso de safras comerciais de grãos, porém, muitas vezes, linhagens de PGM, isogênicas à linhagem parental, não são possíveis, a exemplo dos grãos de milho, híbridos de duas linhagens. Assim, para comparação, a linhagem mais próxima possível deve servir de referência.

O conceito de ES não está previsto explicitamente na legislação brasileira. A lei que estabelece normas para o uso das técnicas de engenharia genética determina apenas que os OGMs devem oferecer a mesma segurança que o organismo receptor ou parental sem efeitos negativos para o meio ambiente. No entanto, o estabelecimento da ES dos alimentos derivados de OGMs é uma exigência dos parceiros econômicos do Brasil: Europa e América do Norte.

Wedis Martins

Fonte: artigo “Equivalência substancial da composição de alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas (PGM)”, publicado na revista Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento. (Autores: Márcio A. F. Belém, Ilana Felberg, Elizabeth Borges Gonçalves, Lair Chaves Cabral, José Luís V.de Carvalho, Esdras Sundfeld e Marília Regina Nutti)


Foto: SOL Cardona (Flickr) 

4 de agosto de 2012

Combate natural II - insetos

Como disse no post anterior (Combate natural I - caldas), um dos principais desafios da agricultura orgânica é encontrar os meios adequados de combater pragas e doenças sem a utilização de pesticidas. Além das caldas, outra estratégia para contornar esse problema é o controle biológico por conservação, que utiliza insetos e parasitóides existentes naturalmente no ambiente para controle dos insetos que se alimentam de plantas e são indesejáveis na produção agrícola.

Um grupo da Embrapa, que conta com a entomóloga Alessandra de Carvalho Silva, vem empregando plantas que fornecem abrigo e alimento alternativo para esses “reguladores naturais”.


Ela explica que para que os insetos desejáveis sejam atraídos e mantidos na área de produção, são usadas plantas que fornecem pólen, néctar e insetos diferentes de pragas agrícolas. Uma vez presentes nos terrenos, eles acabam se alimentando das pragas que infestam as plantações.

A couve, por exemplo, tem como praga um tipo de pulgão, que é o alimento preferencial de algumas joaninhas (nome popular dos insetos coleópteros da família Coccinellidae). Quando se planta couve com coentro, atraindo pulgões de outra espécie, a joaninha se instala permanentemente no local porque encontra esse alimento, além daqueles fornecidos pelas flores, e acaba também se alimentando da praga da couve.

Alessandra conta que o mesmo acontece se associamos a plantação a uma espécie de adubo verde, chamada Gliricídia. Além de fertilizar o solo com uma planta de adubo verde, suas flores atraem as joaninhas por causa dos pulgões ali presentes.

Wedis Martins

Fonte: revista Rio Pesquisa - Faperj
Foto: Tatah (Flickr)

25 de julho de 2012

Combate natural I - caldas


A agricultura orgânica é aquela que não utiliza agrotóxicos nas plantações. Isso é ótimo, pois é mais seguro para quem planta e para quem consome. No entanto, é também um constate desafio para o agricultor, que precisará combater pragas e doenças sem pesticidas.

Para resolver esta questão, algumas estratégias são utilizadas. Um exemplo é o emprego de caldas, um tipo de defensivo alternativo. Elas são feitas a partir de produtos naturais e alguns componentes químicos que não causam prejuízos à saúde e ao meio ambiente, como enxonfre e cal virgem adicionados em pequenas concentrações.

Uma das mais conhecidas é a calda bordalesa, que é obtida pela mistura de solução de sulfato de cobre com suspensão de cal virgem ou hidratado. A mistura é usada para combater fungos comuns, como o fungo pinta preta, recorrente nas culturas de tomate e batata.

De acordo com o fitossanitarista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro, (Pesagro-Rio), Luiz Augusto de Aguiar, há evidencias de que a calda já era usada na Europa, no início do século XIX, para o controle de doenças fúngicas. Mesmo contendo elementos como cobre e cal, seu uso na agricultura orgânica é permitido por sua baixa toxidade e por contribuir para o equilíbrio nutricional das plantas, ao fornecer cálcio o cobre.

O pesquisador diz que essas misturas tem se mostrado muito eficientes, tanto em experimentos em estufas quanto no campo, e tornam-se ainda mais eficazes se aliadas aos métodos de agrobiodiversidade, que já deixa o solo mais nutritivo e fortalecido.

Wedis Martins

Fonte: revista Rio Pesquisa - Faperj